Desenvolvimento Rural Sustentável
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O princípio do desenvolvimento sustentável é satisfazer as necessidades da geração presente sem comprometer as possibilidades das futuras gerações de fazer o mesmo. Esse princípio norteia as ações do programa Desenvolvimento Rural Sustentável, do Cultivando Água Boa.

O público-alvo está nas quase 26 mil propriedades rurais conduzidas em sistema de exploração familiar na BP3, que representam aproximadamente 90% do total dos agricultores da região. Após décadas absorvendo tecnologias industriais pelo processo de modernização, a produção dessa agricultura familiar está organizada em monoculturas intensivas em capital, que utilizam grande quantidade de agrotóxicos e fertilizantes químicos.

São sistemas de produção de baixa sustentabilidade, com alto potencial  de degradação ambiental (erosão de solos, contaminação de mananciais, baixa diversidade biológica) e com grande risco para a saúde pública.

Como conseqüência desse modelo temos sistemas de produção com reduzida geração de empregos, insegurança alimentar, incapacidade de conservação dos recursos naturais e erosão do conhecimento e saber ancestral e popular.

Por isso, o programa Desenvolvimento Rural Sustentável se apoia em metodologias participativas e busca oferecer aos agricultores familiares um leque de opções para desenvolver toda a cadeia produtiva, apoiando-os no processo produtivo, estimulando a transformação artesanal dos produtos, ajudando a organizar a comercialização e, ainda, promovendo o turismo no espaço rural.

A estratégia foi pautada pela busca de uma matriz sustentável, entendendo que a mesma pode ser construída a partir dos atuais sistemas de produção. Para isso, foram concebidas as seguintes ações: Diversificação de Culturas, Agricultura Orgânica, Rede de Assistência Técnica e Extensão Rural, Agricultura Familiar e Turismo Rural.

Para que o programa se desenvolvesse em plenitude, foram estruturados eixos com o objetivo de conectar as ações propostas na estratégia de trabalho. São eles:

Pesquisa e desenvolvimento, que tem como propósito identificar problemas nos sistemas de produção. Organizações de pesquisa e demais parceiros buscam soluções para problemas dentro do contexto do programa.

Organização e capacitação, eixo diretamente relacionado ao sucesso da agricultura familiar, pois esta depende da organização, da cooperação e da atividade solidária. Esse eixo estimula as famílias a se associar para desenvolver inúmeras ações. Capacitar os agricultores, trazendo as informações que são geradas pela pesquisa, é de extrema importância para a manutenção do sistema de produção, além da inovação tecnológica e da aprendizagem da gestão da propriedade agrícola.

Comercialização e marketing, eixo que incentiva os produtores rurais a estreitar a sua relação com os consumidores. A proposta é oferecer alimentos mais baratos e mais saudáveis, e fazer com que os consumidores valorizem o trabalho dos agricultores. O fortalecimento de feiras e lojas de produtos da agricultura familiar também é uma ação importante. Dar aparência ao produto e caracterizá-lo como oriundo da agricultura familiar é de grande valia tanto para estimular o consumo como para dar garantia de qualidade ao consumidor final.

Qualificação e certificação, objetivando tornar os produtos oriundos da agricultura familiar competitivos. Primeiramente é feito trabalho de qualificação de toda a cadeia produtiva e, em seguida, ou concomitantemente, trabalha-se com a certificação de produtos orgânicos, permitindo aos agricultores alcançarem mercados mais exigentes.

Agregação de valor, utilizando o processamento e/ou beneficiamento dos produtos agrícolas, permitem ao agricultor armazenar o produto por um período de tempo maior e obter uma margem superior à que obteria se o vendesse in natura.

Assistência técnica e extensão rural, eixo que permeia todas as ações e todos os outros eixos. É, portanto, o “cimento” de todas as ações do programa – capacitação, pesquisa, organização, comercialização –  que são realizadas com o apoio de assessores técnicos.

Beneficiados
 
• Mil agricultores familiares orgânicos ou em conversão atendidos diretamente;
• 7 mil agricultores familiares atendidos indiretamente, principalmente com difusão de tecnologias e atividades para diversificação de sistemas de produção;
• 534 famílias assentadas da reforma agrária;
• 5 mil estudantes atendidos em atividades de capacitação, treinamento e eventos voltados para o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar;
• 15 mil consumidores beneficiados por meio de feiras, lojas, cestas verdes e refeições orgânicas (almoço, cafés e lanches);
• 15 mil pessoas participando das caminhadas na natureza.

Ações e resultados

Na ação de Diversificação de Culturas são propostas e introduzidas atividades como a fruticultura, a produção de leite a pasto, os sistemas agroflorestais, a produção de mel e outros produtos das abelhas, a produção de palmito e também de algodão orgânico, entre outros.

Excelentes resultados foram obtidos por meio da pesquisa, desenvolvimento e apoio técnico sobre alternativas de produção em pequenas propriedades rurais, que permitiram a ampliação das oportunidades de geração de renda e condições de sustentabilidade.

No campo da fruticultura foi implantada uma vitrine tecnológica no Centro Avançado de Pesquisa do município de Santa Helena. As espécies frutíferas cultivadas são o abacaxi, abacate, manga, banana, uva, macadâmia, citros, goiaba e acerola. Nessa área também foram realizados treinamentos para agricultores e estudantes. Na BP3 foram implantadas nove UTVs (Unidades de Teste e Validação) com abacaxi e três com uva, uma no município de Diamante do Oeste e duas em Guaíra. Há também uma unidade de observação de produção orgânica de uva no município de Missal. Foram implantadas, ainda, duas UTVs com maracujá e uma com banana.

Também foram implantadas vitrines tecnológicas que tratam de sistemas agroflorestais nos municípios de Santa Helena e São Miguel do Iguaçu, e três unidades produtivas nos municípios de Entre Rios do Oeste, Guaíra e São Miguel do Iguaçu.

Esta ação também já beneficiou inúmeras famílias com capacitação, análise de qualidade e assistência técnica nas áreas de produção de leite a pasto e de mel.

A Agricultura Orgânica incentiva os agricultores da BP3 a converter suas propriedades para a produção orgânica com base agroecológica, sem a utilização de adubos químicos ou pesticidas, de forma a evitar a contaminação dos rios e oferecendo produtos saudáveis e com qualidade para a população, além de estruturar o processo de comercialização dos produtos orgânicos na região;

Com o esforço do programa e da capacidade de unir entidades parceiras para alavancar a atividade, foi possível reunir cerca de mil agricultores orgânicos ou em processo de conversão na região, o que significa uma quantidade razoável de produtores interessados em alterar o modelo de produção convencional baseado num aporte excessivo de insumos químicos.

Com o auxílio de parceiros no fortalecimento da comercialização dos produtos da agricultura familiar, já foram estruturadas três feiras e cinco pontos de venda fixos em municípios da BP3. Também são realizadas periodicamente feiras como a denominada Vida Orgânica, além da divulgação do projeto Cestas Verdes e inúmeras refeições orgânicas promovidas pelas associações de produtores familiares da região da BP3.

A Rede de Assistência Técnica e Extensão Rural objetiva oferecer capacitação técnica e metodológica aos agricultores e consolidar uma rede de assistência para a difusão de praticas sustentáveis e da agroecologia. A rede é um espaço ideal para construir uma identidade comum, uma linguagem única e um discurso técnico-político-ideológico que define a atuação de cada integrante.

Para que as atividades se consolidem e para que a região se torne referência em sustentabilidade na agricultura familiar, os agricultores e apicultores da região têm recebido assistência técnica através das entidades parceiras da Itaipu Binacional. A extensão rural está sendo reforçada com a formação de agentes de extensão, estes agentes, são os próprios agricultores, que são capacitados a exercer atividades organizacionais, de liderança, de associativismo e de difusão de conhecimento para as suas associações e associados, buscando assim consolidar a agricultura familiar dentro do contexto sustentável de produção.

Na Agricultura Familiar são desenvolvidas atividades em assentamentos da reforma agrária e vilas rurais, com incentivo ao beneficiamento e processamento de produtos agrícolas mediante a estruturação de agroindústrias.

Buscando agregar valor aos produtos da agricultura familiar, 12 agroindústrias já foram implantadas ou estão em processo de implantação na BP3, os produtos gerados são diversos, entre eles há produção de geléias, doces, compotas, massas e pães, açúcar mascavo, melado entre outros.

Os assentamentos da região tem recebido assistência técnica e incentivo para o desenvolvimento, sendo que já foram entregues equipamentos e implementos para serem utilizados com tração animal, bem como os animais para tração.

Prover os agricultores de conhecimento tem sido um dos compromissos desta ação, assim, diversas atividades que promovam a estruturação e o fortalecimento do Instituto de Pesquisa para a Reforma Agrária (ITEPA) têm sido realizadas, como a implantação de unidades didáticas em agroecologia e o alojamento para abrigar 64 estudantes.

Já o Turismo Rural incentiva o produtor a ir além da atividade agropecuária tradicional e explorar as riquezas naturais e os aspectos culturais visando aumentar a sua renda. Na tentativa de qualificar o turismo rural da região, intercâmbios de experiências estão sendo realizados, em especial entre o Paraná e a região italiana da Toscana, além da elaboração de roteiros turísticos e caminhadas na natureza.

Com o incentivo ao turismo, o programa busca alternativas para viabilizar o espaço rural como roteiro turístico e ecológico, capacitando agentes locais e agricultores, criando roteiros e incluindo as comunidades locais em atividades como as caminhadas ecológicas. Somente em 2008 foram realizadas seis caminhadas ecológicas nos municípios da BP3.

Outra frente de estímulo está na aproximação com a região italiana de Toscana, referência internacional no campo do turismo rural. Assim, foi realizado o Workshop de Turismo Rural para uma troca de experiências entre o Estado do Paraná (em especial a região da BP3) e a região de Toscana. Compareceram especialistas em turismo rural da Universidade de Pisa, bem como instituições brasileiras empenhadas em alavancar essa modalidade de turismo na região. Participaram do evento aproximadamente 200 pessoas, e, como resultado, espera-se estabelecer um plano de turismo rural de alta qualidade para a BP3.

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