De setembro de 2009 para cá, a Itaipu assinou convênios com 22 municípios da Bacia do Paraná 3 (BP3), totalizando investimentos de R$ 35.506,084 milhões. Deste valor, R$ 18.839,034 milhões partiram da binacional. O restante foi contrapartida das administrações municipais.
O número consolidado foi informado por representantes da Diretoria de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu na sexta-feira (16), um dia após as últimas cerimônias do Pacto das Águas em municípios da BP3. O Pacto das Águas estende o compromisso de preservação das microbacias hidrográficas às comunidades da região.
O valor dos convênios é utilizado para zerar passivos ambientais das microbacias, incluindo investimentos em conservação do solo, irrigação, cascalhamento de estradas, compra de cercas para proteção da mata ciliar, compra de distribuidores de dejetos, reforma de abastecedores comunitários, entre outros.
Considerando os 22 convênios já assinados, as benfeitorias atingem 118 microbacias da BP3. Em 21 delas os trabalhos já estão concluídos; no restante as obras estão em andamento. A meta do Cultivando Água Boa é chegar a 150 microbacias até o final do ano.
Otimismo
Há dois anos, as fortes chuvas que caíram na região de Guaíra provocaram um grande prejuízo no sítio do agricultor Domingos Wagatsuma. A enxurrada destruiu as estradas e fez disparar os custos de produção. Na última quinta-feira (15), sob frio intenso e chuva fina, as perspectivas para a atividade rural mudaram. “Estou muito otimista, com muita esperança. Tenho certeza de que vai melhorar”, disse Wagatsuma, pouco antes da solenidade que marcou a assinatura do Pacto das Águas na microbacia do Córrego Capivari e adjacências, na comunidade rural de Oliveira Castro. O compromisso firmado naquela cerimônia era o motivo do otimismo de Wagatsuma.
A solenidade foi uma das oito realizadas em dois dias (quarta e quinta-feira) por Itaipu em municípios da BP3, com a presença do diretor geral brasileiro, Jorge Miguel Samek, do diretor de Coordenação, Nelton Friedrich, coordenadores do programa socioambiental Cultivando Água Boa, autoridades municipais e representantes da comunidade.
Em Guaíra, terra de Domingos Wagatsuma, o convênio contempla investimentos de R$ 1.525,460 milhão – R$ 843.038 de Itaipu e R$ 691.422 da prefeitura. Na solenidade da última quinta-feira, dois novos distribuidores de dejetos já estavam em frente ao salão comunitário, onde foi assinado o Pacto das Águas.
“Cada nascente que a gente recupera representa o respeito à criação. Porque não existe vida sem água”, discursou Nelton Friedrich, que fez questão de chamar à frente da mesa das autoridades o pioneiro José Maria de Oliveira, 92 anos de idade, que chegou à região em 1960.
Oliveira recebeu um kit de Itaipu das mãos do diretor geral brasileiro. “Me resta fazer um agradecimento aos nossos parceiros, que são fundamentais”, ressaltou Samek. “Estamos trabalhando na perspectiva de aproveitar o bom momento do País”, completou.
“Esse evento vem sobretudo conscientizar a nossa população sobre a importância do trabalho ambiental”, disse o prefeito da cidade, Manoel Kuba. “E Itaipu, graças à sua administração, vem fazer essa mudança, investindo na área social e ambiental. Temos que reconhecer o trabalho e, acima de tudo, o respeito que tem Itaipu com o nosso município”, acrescentou.
O mesmo otimismo foi demonstrado pelo prefeito de Mercedes, município de 5 mil habitantes nas região da BP3. “É uma parceria completa, que preserva a natureza e ajuda os produtores”, disse Vilson Shantes. A solenidade de assinatura do Pacto das Águas no município foi feita na tarde de quinta-feira, no Salão da Comunidade Beira Rio. Em Mercedes, o convênio para a microbacia do Rio 15 de Novembro e adjacências prevê investimentos de quase R$ 800 mil.
Além de Guaíra e Mercedes, foram assinados o Pacto das Águas nos municípios de Ouro Verde do Oeste, São José das Palmeiras, Diamante D’Oeste, Vera Cruz do Oeste, Marechal Cândido Rondon e Santa Helena. Nestes oito municípios, os investimentos para recuperação de 21 microbacias superam os R$ 12 milhões.
Miguel Isloar Sávio, da Divisão de Ação Ambiental (MAPA.CD) de Itaipu, destaca que a recuperação das microbacias também deixa os agricultores mais próximos de conquistar o selo do Sistema de Manutenção, Recuperação e Proteção da Reserva Florestal Legal e Áreas de Preservação Permanente – Sisleg, concedido pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Segundo ele, a partir de 2018, quem não tiver o selo perderá acesso a financiamentos públicos.