Complexo inaugurado nesta sexta-feira (24) irá beneficiar mais de 500 mil pessoas distribuídas em 20 municípios da 5ª Regional de Saúde do Paraná; também foi anunciado convênio de modernização do Novo Hospital Santa Tereza
A Itaipu Binacional e o Hospital de Caridade São Vicente de Paulo entregaram, nesta sexta-feira (26), em Guarapuava, as obras do Hospice e Casa de Apoio São Vicente de Paulo, complexo voltado ao atendimento humanizado de pacientes em cuidados paliativos. O investimento da hidrelétrica binacional soma R$ 23,2 milhões e a estrutura está apta a beneficiar cerca de 500 mil habitantes distribuídos em 20 municípios que integram a 5ª Regional de Saúde do Paraná.
Um hospice (ou hospedaria de cuidados paliativos) é uma estrutura de saúde ou um modelo de atendimento especializado voltado para acolher pacientes com doenças graves, progressivas ou em fase terminal, que não respondem mais aos tratamentos de cura.
Para o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, a entrega do complexo é a prova de que os recursos foram aplicados com responsabilidade e eficiência. “Olhando essa obra, temos plena certeza de que esses R$ 23 milhões foram muito bem investidos”, afirmou. Verri ressaltou que o projeto se insere diretamente no empenho do Governo do Brasil de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e de garantir qualidade de vida à população.

Para o presidente do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, Odacir Antonelli, a obra representa uma resposta concreta às necessidades de uma população que há muito tempo carecia de estrutura especializada. Ele destacou que o hospital atende cerca de 25 municípios da região em oncologia e que o novo complexo viabiliza o acolhimento tanto de pacientes em tratamento quanto daqueles em fase terminal, com uma lógica de cuidado que vai além do protocolo clínico. “O paciente pode trazer seu pet, seu parente. A visita fica aberta e é diferente de uma UTI”, disse Antonelli, resumindo a proposta humanizada do hospice.
A cerimônia de entrega reuniu a direção executiva do hospital, representantes da diretoria da Itaipu e autoridades públicas estaduais e municipais.

Estrutura integrada e humanizada
O empreendimento ocupa uma área total de 4.448,48 metros quadrados e foi concebido para oferecer atendimento integrado e individualizado, com foco em cuidados paliativos. O convênio foi firmado em fevereiro de 2025, com vigência de 18 meses. As obras começaram em julho de 2025 e foram concluídas em aproximadamente 11 meses, prazo inferior ao previsto no instrumento contratual. A execução física atingiu 100%.
O diretor de Coordenação da Itaipu, Carlos Carboni, destacou que a rapidez na execução não foi apenas um mérito técnico, mas uma questão ética diante do perfil dos beneficiários. “São pessoas que não podem esperar, são pessoas que precisam hoje, não depois”, afirmou. Carboni acrescentou que o projeto se tornou uma referência interna na Binacional por ter sido entregue dentro do orçamento previsto, sem necessidade de aditivos contratuais, o que ele classificou como garantia de que o recurso público foi utilizado da melhor forma possível.
A estrutura está organizada em dois blocos principais. O Hospice, com 27 leitos, destina-se ao atendimento clínico com terapias biointegrativas, especialmente para pacientes em fase terminal. Já a Casa de Apoio, com 33 leitos, é voltada ao acolhimento de pacientes e familiares que necessitam de suporte logístico durante o tratamento. Ao todo, o complexo tem capacidade para 60 pacientes.

O projeto contempla ainda um salão de convivência para integração social e fortalecimento de vínculos, uma capela ecumênica para suporte espiritual, e um bloco de infraestrutura técnica com central de gases medicinais, sistema de gás, depósito de resíduos hospitalares e cisternas. O atendimento será prestado por equipe multiprofissional com participação de grupos voluntários.
Os municípios contemplados pelo serviço são: Boa Ventura de São Roque, Campina do Simão, Candói, Cantagalo, Foz do Jordão, Goioxim, Guarapuava, Laranjal, Laranjeiras do Sul, Marquinho, Nova Laranjeiras, Palmital, Pinhão, Pitanga, Porto Barreiro, Prudentópolis, Reserva do Iguaçu, Rio Bonito do Iguaçu, Turvo e Virmond.
A entrega do Hospice integra um conjunto amplo de aportes da Itaipu Binacional em Guarapuava. No total, a hidrelétrica destinou R$ 60 milhões ao município em diferentes frentes: educação, agricultura familiar, saneamento, energia renovável e habitação.
Modernização do Novo Hospital Santa Tereza
Ainda durante a manhã, o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, participou do anúncio do convênio voltado à modernização tecnológica do Novo Hospital Santa Tereza, também em Guarapuava. O projeto, intitulado “Modernização Tecnológica do Parque de Diagnóstico por Imagem e Esterilização Hospitalar”, será executado por meio de parceria com a Associação de Saúde Frederico Guilherme Keche Virmond, entidade filantrópica mantenedora da instituição.

O investimento de R$ 10,3 milhões da Itaipu viabilizará a aquisição de um tomógrafo computadorizado multidetector (de 64/128 cortes), um equipamento de ressonância magnética, duas autoclaves hospitalares para esterilização a vapor, três unidades de conservação e congelamento científico, 115 kits de instrumentais cirúrgicos e uma van com capacidade para 16 lugares.
Para o provedor do Novo Hospital Santa Tereza, André Osmar Kloster Oliveira, o aporte representa um marco histórico para a infraestrutura de saúde da região central do Paraná. De acordo com o administrador, a instituição atua como referência para 21 municípios, alcançando uma população estimada em 650 mil habitantes. Kloster Oliveira ressaltou que o suporte da Itaipu, articulado em consonância com o programa federal Mais Especialistas, preenche uma lacuna tecnológica crucial para o atendimento público de alta complexidade. “Estamos realizando um sonho, que é o maior convênio que a instituição já vai firmar com o governo federal e com a Itaipu. Vai estruturar o nosso setor de imagem com equipamentos de última geração, que são os melhores do mundo”, celebrou o provedor, apontando que a unidade se tornará o único hospital regional a contar com essa retaguarda diagnóstica integrada para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

A otimização do parque tecnológico visa impactar diretamente a resolutividade do hospital, que registra alta demanda em pronto-socorro, terapia intensiva (adulta e pediátrica), maternidade e cirurgias. Os novos dispositivos devem ampliar a capacidade de exames, reduzir o tempo de espera pelos diagnósticos, conferir maior segurança aos procedimentos cirúrgicos e diminuir a necessidade de transferir pacientes para grandes centros urbanos.
O diretor-geral brasileiro, Enio Verri, contextualizou a ação dentro das diretrizes de responsabilidade social da binacional e da determinação da Presidência da República de priorizar investimentos no fortalecimento da rede pública de saúde. Verri defendeu ainda a centralidade da ciência e do SUS na preservação de vidas. “A Itaipu escolheu a inclusão social, o desenvolvimento, a defesa do meio ambiente e a saúde pública. O SUS é o nosso produto”, declarou Verri.






