Projeto apoiado pela Itaipu leva capacitação e novas oportunidades a detentos de Foz

Fotos: William Brisida/Itaipu Binacional

Compartilhe esse artigo

Empresa investe em convênio que viabiliza a ressocialização de detentos a partir da confecção de brindes voltados ao turismo regional

O diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, visitou duas unidades prisionais de Foz do Iguaçu nesta sexta-feira (6) para acompanhar a implantação dos canteiros de produção de artesanato, viabilizados a partir do Convênio Tecendo o Futuro, firmado entre o Conselho da Comunidade e a Binacional.

A parceria contempla seis penitenciárias da cidade, sendo cinco masculinas e uma feminina, com aquisição de máquinas, equipamentos e insumos, além da capacitação de pessoas privadas de liberdade. A iniciativa busca promover a ressocialização e a inclusão produtiva por meio do trabalho, especialmente dos detentos em regime de progressão de pena. As seis unidades abrigam quase 5 mil apenados.

As peças artesanais e brindes corporativos que serão confeccionados pelos presos farão parte de uma linha de produtos com identidade da Região Trinacional e voltada à promoção do Destino Iguaçu.

Diretor-geral brasileiro de Itaipu com autoridades do sistema prisional de Foz do Iguaçu.

Foram visitadas as unidades de progressão da Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu III (PEF III) e da Penitenciária Feminina (PFF), ambas localizadas no bairro Três Fronteiras.

Para Verri, o projeto alia qualificação profissional e trabalho para a reinserção das pessoas na sociedade com novas oportunidades. “É muito emocionante ver um trabalho como esse. Afinal de contas, estamos falando de ressocialização. Aqui as pessoas estudam e trabalham em tempo integral. Têm alguma renda e saem com um sentimento de pertencimento”, afirmou.

De acordo com o diretor-geral, a chance de aprender um novo ofício é um dos principais objetivos do projeto. “Elas serão libertadas já com uma nova profissão, podendo tocar a vida com muito mais tranquilidade. Estou muito contente com essa cooperação porque vemos resultados concretos na vida das pessoas”, ressaltou Verri.

Descerramento da faixa que inaugurou o convênio entre a Itaipu e o Conselho da Comunidade

Já a presidente do Conselho da Comunidade da Comarca de Foz, Juraci Helena Audibert, disse que o convênio representa a possibilidade concreta de transformação social por meio do trabalho no sistema prisional.  “Sem dúvida, é uma parceria magnífica. É o sonho de qualquer gestor que queira fazer uma mudança social no sistema prisional.”

Segundo ela, os resultados vão além das unidades prisionais e beneficiam toda a comunidade. “Esse trabalho vai refletir na sociedade como uma devolução daquilo que se cometeu, mostrando que realmente existe interesse da pessoa privada de liberdade em mudar de vida. Será algo muito importante para a sociedade iguaçuense”, garantiu.

O convênio foi estabelecido entre as partes em julho deste ano e tem vigência de 18 meses, com encerramento previsto para janeiro de 2028. Os investimentos giram em torno de R$ 1,8 milhão, sendo R$ 1,6 milhão aportados pela Itaipu e R$ 200 mil em contrapartida do Conselho da Comunidade.

Até o final do projeto serão capacitados pelo menos 200 detentos, com 250 horas-aula cada um. A produção deve atingir, no mínimo, 3 mil peças de artesanato regional, elaboradas a partir de um catálogo com 30 modelos de brindes. O design das artes que irão compor a linha de produtos será desenvolvido por meio de um concurso cultural.

Caminhos para o recomeço

Para quem atua diretamente no sistema penal, o convênio vem para fortalecer a reintegração social. Segundo a juíza da Vara de Execuções Penais de Foz do Iguaçu, Juliana Arantes Zanin Vieira, a parceria aproxima a sociedade das pessoas privadas de liberdade e contribui para a reconstrução de laços sociais.

“Quando se une a sociedade juntamente com o sistema penitenciário, você reintegra uma pessoa que acabou inicialmente fazendo mal à sua comunidade, mas que agora, por meio do trabalho conjunto, pode voltar como uma pessoa útil, trabalhando e colaborando para que Foz cresça e, ao mesmo tempo, restabelecendo seus laços sociais”, afirmou.

Exemplos de artesanato que serão confeccionados em escala nas unidades penitenciárias

A diretora da Penitenciária Feminina de Foz do Iguaçu (PFF), Helena Maria Almeida Pasin, acredita que a capacitação oferecida pelo convênio poderá ampliar as perspectivas das mulheres atendidas pela unidade. “O trabalho ajuda na ressocialização porque traz dignidade. Mostra para a pessoa que ela é capaz, que pode se profissionalizar dentro de um presídio e construir uma nova realidade para a sua vida”, avaliou.

De acordo com Pasin, a qualificação profissional também é uma ferramenta importante na prevenção da reincidência criminal. “Dessa forma, a pessoa consegue mostrar à sociedade que tem capacidade de fazer, conquista melhores oportunidades de trabalho e acaba não reincidindo”, assegurou.

Além das autoridades já mencionadas, participaram da visita aos presídios o coordenador administrativo do Conselho da Comunidade, Renan Pereira dos Santos; o diretor da Penitenciária III, Stenio Nascimento Couto; a promotora de Justiça de Execução Penal, Rayanne Hagge Berti; o coordenador regional do Departamento de Polícia Penitenciária (Deppen), Cássio Rodrigo Pompeo; e o assessor da Vara de Execuções Penais, Rodrigo de Oliveira.

Tópicos: 

Mais notícias