Produtores do Oeste vendem energia à Copel

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Produtores rurais do Oeste do Paraná, juntamente com a Sanepar, assinaram na tarde desta terça-feira (dia 3), na sede da Companhia Paranaense de Energia (Copel), em Curitiba, o contrato de venda de energia produzida por eles a partir de biogás gerado por dejetos da atividade agropecuária e do tratamento de esgoto urbano. A companhia de saneamento e os produtores (representantes da Cooperativa Lar, da Granja Colombari e da Fazenda Star Milk) responderam à Chamada Pública 05/08, edital publicado pela Copel no final do ano passado.

É a primeira vez que uma concessionária de energia no país contrata esse tipo de fornecimento de energia, denominado geração distribuída, modalidade que foi criada por decreto presidencial em julho de 2004 e posteriormente regulamentada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No entanto, faltava definir padrões de operação, que só foram alcançados a partir de testes de segurança promovidos em uma iniciativa conjunta da Itaipu Binacional, Copel e Sanepar, no Oeste do Paraná.

 

Exatamente por terem participado desses testes e do desenvolvimento de um painel de controle de cargas (que permite enviar para a rede pública o excedente de eletricidade gerado) é que esses produtores e a Sanepar estavam aptos a responder ao edital da Copel.

 

“A assinatura desse contrato coroa um trabalho de dois anos em que a Itaipu atuou de forma coordenada com duas empresas estatais do Paraná para o desenvolvimento dessa nova modalidade de geração de energia, que pode representar pouco em termos de potência acrescentada ao sistema, mas que significa muito em termos econômicos para os produtores rurais”, afirmou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek.

 

Para se ter uma ideia do potencial de geração, a Granja Colombari, que foi o primeiro dos seis protótipos a entrar em operação, produz 384 kilowatts/hora por dia, a partir dos dejetos de 3 mil suínos. A expectativa é vender, em média, um terço dessa carga para a Copel. Estudos inicias sobre a rentabilidade do negócio indicam que a comercialização de energia deverá proporcionar uma receita mensal entre R$ 600 até R$ 1.000.

 

“Por dia geramos 600m³ de gás metano, enquanto nosso gerador que está em atividade desde 2006 consome metade deste volume. Logo, planejamos ampliar nossa capacidade de geração de energia no curto prazo”, revelou o proprietário da Granja Colombari, José Carlos Colombari, que, dentro de duas semanas, será o primeiro produtor rural entre os selecionados a efetivar a venda de energia para a Copel.

 

Além de Colombari, de São Miguel do Iguaçu, responderam ao edital três unidades da Cooperativa Lar (produção de suínos, criação de aves e frigorífico de aves), a Fazenda Star Milk (produção leiteira), de Céu Azul, e a Estação de Tratamento Ouro Verde, de Foz do Iguaçu.

 

A Cooperativa Lar, que já tem dois biodigestores em operação desde fevereiro de 2008, encomendou mais quatro geradores que entrarão em atividade no mês de junho. O presidente da cooperativa, Irineo da Costa Rodrigues, conta que a venda de energia já era uma possibilidade considerada há anos, mas que só se tornou realidade com o apoio de Itaipu. “Os gastos com energia elétrica estavam entre as nossas três maiores despesas no passado. E sabíamos do potencial de venda do excedente de energia que viéssemos a produzir.

 

Mas só com o envolvimento de Itaipu é que a Copel se convenceu da viabilidade desta matriz e a Aneel a regulamentou. Além disso, é importante ressaltar que estamos eliminando um passivo ambiental”, destacou.

 

O superintendente de Energias Renováveis da Itaipu, Cícero Bley Júnior, explica que a contratação desse tipo de geração energética representa uma ruptura de paradigma no setor elétrico brasileiro, que sempre foi planejado com base em grandes empreendimentos. “Essa estrutura fica preservada e grandes usinas continuarão a ser planejadas e construídas, mas se inaugura uma fase em que se demonstra a viabilidade técnica, econômica e ambiental da geração abaixo de 1 megawatt. E a somatória de muitos pequenos produtores é bastante interessante do ponto de vista energético, especialmente hoje em dia, em que as mudanças climáticas impõem a necessidade de desenvolver cada vez mais as fontes renováveis de energia”, garante.

 

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