Parceria da Itaipu com o Cindepar vai beneficiar 84 municípios do Paraná

Léo Orcini Fotografia/Itaipu Binacional.

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Programa de reciclagem da construção civil transforma resíduos em matéria-prima para pavimentação. Primeiro município beneficiado é Rio Bonito do Iguaçu, devastado por tornado em 2025

Com mais de 90% das construções destruídas por um tornado em 7 de novembro de 2025, o município de Rio Bonito do Iguaçu, além de toda a questão humanitária, também precisou lidar com toneladas de escombros. Hoje, esses resíduos ocupam quase que a totalidade de uma antiga pista de pouso, com cerca de 650 metros de extensão.

Esse material tem potencial para ser reaproveitado como matéria-prima em obras, principalmente pavimentação. Mas, para isso, precisa passar por uma máquina que tritura e prepara os resíduos para aplicação na base do pavimento asfáltico. É um equipamento muito caro e, portanto, restrito a municípios de maior porte.

Diretor-geral da Itaipu assina convênio em Ibiporã.

Porém, com um investimento de R$ 8,3 milhões da Itaipu Binacional, 84 pequenos municípios paranaenses terão acesso a duas máquinas que reciclam resíduos da construção civil. E Rio Bonito do Iguaçu terá prioridade em sua utilização.

Trata-se do programa Paraná Circular, uma parceria da Itaipu com o Consórcio Público Intermunicipal de Inovação e Desenvolvimento do Paraná (Cindepar) lançado na tarde desta quinta-feira (28), em Ibiporã (PR). 

“Esse projeto tem tudo a ver com a missão do Itaipu, que é promover a sustentabilidade. Ele contribui com o meio ambiente ao mesmo tempo em que resolve um problema. Porque esse resíduo da construção vira matéria-prima para uma estrada rural ou para aquela rua do distrito que ainda não tem asfalto”, afirmou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, durante o lançamento.

O presidente do Cindepar, Sílvio Antônio Damaceno, conta que, antes da parceria com a Itaipu, para fazer esse tipo de reciclagem, era necessário levar os resíduos até uma usina, normalmente localizada em grandes centros como Londrina (PR). Isso implica custos de transporte além das emissões de poluentes durante o deslocamento.

“Além disso, as máquinas que fazem parte desta parceria com a Itaipu têm um gerador de energia próprio. Assim, o município só precisa de uma pá carregadeira ou uma escavadeira hidráulica, equipamentos que, normalmente, toda prefeitura tem”, completou Damaceno.

Segundo o diretor de Coordenação da Itaipu, Carlos Carboni, cada máquina processa ao menos 300 toneladas por dia. “É um material que deixa de ir para o aterro sanitário, para a beira de estrada ou até mesmo para um córrego. No caso do concreto, ainda é possível separar o aço para outras aplicações na construção”, afirmou.

Os 84 municípios beneficiados pela parceria somam uma população de cerca de 1,5 milhão de habitantes. O prazo de execução é até março de 2027. “O papel que a Itaipu desempenha, alinhado às políticas públicas do Governo do Brasil, ajuda a fazer a diferença no dia a dia de muitos municípios do Paraná”, afirmou a deputada federal Gleisi Hoffmann, que também participou do lançamento.

A cerimônia ainda contou com a presença do prefeito de Ibiporã, José Maria Ferreira, e do diretor executivo do Cindepar, Rafael Cortez. Além do investimento da Itaipu, a parceria tem ainda uma contrapartida de R$ 122 mil por parte do consórcio.

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