Itaipu conclui espaço para mulheres em situação de vulnerabilidade em Foz do Iguaçu

Fotos: Sara Cheida/Itaipu Binacional.

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Ala Feminina da Comunidade Sagrada Família Dom Olívio terá 60 vagas gratuitas para mulheres em situação de dependência química

A Itaipu Binacional participou, nesta quinta-feira (30), da entrega das obras da Ala Feminina Santa Dulce, da Comunidade Sagrada Família Dom Olívio Aurélio Fazza, em Foz do Iguaçu. O novo espaço será destinado a mulheres em situação de dependência química e integra o projeto “Ressignificando Vidas”, desenvolvido com apoio da usina por meio do programa Itaipu Mais que Energia. A solenidade reuniu autoridades municipais, representantes da sociedade civil e lideranças religiosas, além de dirigentes da Itaipu.  

A iniciativa atende a uma demanda histórica da região da tríplice fronteira, que até então não contava com uma comunidade terapêutica feminina gratuita. O espaço foi estruturado para acolher mulheres de 18 a 59 anos, incluindo gestantes, lactantes e mães com bebês, contando também com berçário e acompanhamento multiprofissional.

O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, destacou que o investimento da empresa está alinhado à diretriz de inclusão social adotada pela empresa. Segundo ele, o projeto dá resposta a uma lacuna importante da rede de atenção psicossocial do município. “O custo é pequeno frente ao retorno que dará às famílias e à comunidade de Foz e da região.”

Para Verri, o projeto vai muito além da cura individual. “Por trás de cada mulher atendida há uma família inteira que se beneficia”, explicou. O diretor também chamou atenção para o desafio pós-tratamento, alertando para a necessidade de garantir que as mulheres que saírem da unidade não retornem aos mesmos ambientes que contribuíram para a dependência.

“Por trás de cada mulher atendida há uma família inteira que se beneficia”. Diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri.

Primeiros atendimentos no começo de 2027

O investimento da Itaipu no projeto soma R$ 8 milhões (além de R$ 2,1 milhões já investidos na ala masculina). Todos os atendimentos no local serão gratuitos, sem qualquer cobrança às usuárias ou suas famílias. A previsão é que os primeiros atendimentos se iniciem no primeiro semestre de 2027, após a conclusão da mobília e das contratações de profissionais da equipe multidisciplinar.

Representando a Diocese de Foz do Iguaçu, o bispo diocesano Dom Sérgio de Deus Borges ressaltou o caráter humanitário do projeto e a importância das parcerias institucionais com a Itaipu. “Esse trabalho cuida justamente de quem ninguém quer cuidar. São pessoas que o mercado descarta, mas que precisam de dignidade, cuidado e esperança. A Itaipu não apenas apoia, ela caminha junto conosco”, afirmou.

Segurança pública

A delegada adjunta da Mulher e presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Iane Nayara Dantas Costa, trouxe uma perspectiva da segurança pública ao evento, chamando atenção para a relação direta entre o uso de entorpecentes e a permanência de mulheres em ciclos de violência doméstica. “O uso de entorpecentes faz com que a mulher permaneça, muitas vezes, num ciclo de violência. Não consiga sequer ter forças para conter esse ciclo, não tenha coragem e não tenha disposição para que possa viver independente desse ciclo”, explicou a delegada.

O diretor da Comunidade Sagrada Família Dom Olívio Aurélio Fazza, Ivo Antonio dos Santos, ressaltou que o novo espaço amplia o alcance do trabalho desenvolvido pela instituição. De acordo com ele, a ala feminina atende não apenas Foz do Iguaçu, mas toda a região oeste e o Paraná, onde há escassez de estruturas voltadas especificamente ao público feminino. “Muitas delas não tinham alternativa, a não ser sair da cidade ou pagar por tratamento. Agora, isso muda”, afirmou.

A assistente social e coordenadora-geral da Comunidade Sagrada Família, Célia Cristina de Oliveira, responsável também pela supervisão das unidades masculinas, de Porto Meira e de Matelândia, ressaltou que a inauguração da Ala Feminina representa a concretização de um sonho antigo da diretoria da instituição, que por muitos anos parecia grande demais para ser alcançado.

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