Campanha nacional quer transformar separação de resíduos em renda, inclusão social e proteção ambiental

Evento em Fortaleza (CE) marcou o lançamento da Campanha Nacional de Educação Ambiental para Separação de Resíduos. Fotos: Felipe Nogueira/Itaipu Binacional

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Com apoio da Itaipu Binacional, o movimento será voltado para a ampliação do trabalho de Educação Ambiental no país

O Governo do Brasil lançou, nesta sexta-feira (29), em Fortaleza (CE), a Campanha Nacional de Educação Ambiental para Separação de Resíduos visando mobilizar a população brasileira para a correta separação do lixo na origem. A meta é fortalecer a coleta seletiva, ampliar a renda das catadoras e dos catadores de materiais recicláveis e reduzir impactos ambientais.

O evento reuniu cerca de 1.500 pessoas, entre autoridades federais e estaduais, representantes dos movimentos nacionais de catadores, gestores públicos e instituições parceiras, como a Itaipu Binacional. Participaram a primeira-dama Janja Lula da Silva; o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos; o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; o senador Camilo Santana; além de representantes dos movimentos sociais.

Representando a Itaipu, a assistente do diretor-geral brasileiro, Silvana Vitorassi, apresentou os principais eixos da mobilização nacional. Ela explicou que a campanha foi estruturada em parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República, a Secretaria de Comunicação Social (Secom), o Ministério do Meio Ambiente e o Sistema Interministerial de Apoio às Catadoras e aos Catadores (SISC).

Representando a Itaipu, Silvana Vitorassi apresentou os principais eixos da mobilização nacional.

Segundo Silvana, a iniciativa será permanente e terá como pilares a educação ambiental, a mudança de comportamento da população, o fortalecimento da coleta seletiva, a valorização das catadoras e dos catadores e a geração de renda.

“A campanha inicia um grande movimento de conscientização para toda a sociedade. Separar e destinar corretamente o resíduo, é uma atitude simples, mas que, somadas, geram grandes transformações”, afirmou.

Entre as ações previstas estão a produção de vídeos, spots de rádio, cartilhas, jogos educativos, capacitações, eventos de sensibilização e a criação de uma plataforma digital com orientações sobre separação e destinação adequada dos resíduos.

Conscientização

Durante a cerimônia, Janja destacou que a campanha nasceu a partir de uma demanda apresentada pelos próprios catadores durante o tradicional encontro de fim de ano promovido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ela, a iniciativa busca enfrentar um dos principais desafios da cadeia da reciclagem: a falta de conscientização de quem gera os resíduos.

“A separação correta do lixo é uma responsabilidade de todos. Quando fazemos isso, ajudamos a gerar renda, melhoramos as condições de trabalho dos catadores e contribuímos para um ambiente mais saudável”, afirmou.

Janja também ressaltou o protagonismo das mulheres no setor, que representam grande parte da força de trabalho envolvida na reciclagem, e agradeceu o empenho da Itaipu Binacional na construção da campanha.

Segundo a primeira-dama, a iniciativa busca enfrentar a falta de conscientização de quem gera os resíduos.
Para Guilherme Boulos, essa será a maior campanha de educação ambiental já realizada no país.

Responsável pela coordenação das políticas voltadas aos catadores no Governo do Brasil, o ministro Guilherme Boulos classificou a iniciativa como a maior campanha de educação ambiental já realizada no país. Ele argumentou que o aumento da reciclagem depende diretamente da participação da população na separação dos materiais.

“Sem ampliar a quantidade de resíduos corretamente separados, existe um limite para a geração de trabalho e renda nas cooperativas. Também continuaremos desperdiçando materiais que acabam em aterros, produzindo metano e agravando as mudanças climáticas”, afirmou.

Boulos citou resultados obtidos em municípios atendidos por programas apoiados pela Itaipu no Oeste do Paraná, onde algumas cidades já alcançam índices de reciclagem próximos de 30%, patamar comparável ao de países com tradição em gestão de resíduos. Segundo ele, a meta da campanha é triplicar a atual taxa nacional de reciclagem.

O ministro também anunciou que a campanha terá ampla divulgação em emissoras de televisão, plataformas digitais e outros meios de comunicação, alcançando milhões de brasileiros.

Ações ambientais

Representando o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco comentou que a iniciativa integra um conjunto mais amplo de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da reciclagem e à valorização dos catadores. Ele informou que 395 projetos já foram apresentados no âmbito da Lei de Incentivo à Reciclagem, dos quais 298 foram aprovados, e que outros 100 projetos cearenses estão em análise, com potencial para movimentar mais de R$ 80 milhões em investimentos.

“Nosso objetivo é tirar as catadoras e os catadores da invisibilidade e reconhecer a contribuição fundamental que oferecem para a conservação ambiental e para o enfrentamento das mudanças climáticas”, disse.

O cearense Cícero Souza defendeu a participação das cooperativas de catadores nos recursos da logística reversa e dos créditos de carbono.

Representantes dos movimentos nacionais de catadores também participaram do lançamento. A pernambucana Lita C. Maria Gonçalves compartilhou sua trajetória de superação, desde o trabalho em lixões até a formação universitária e a atuação em cooperativas. Já o cearense Cícero Souza reforçou a necessidade de ampliar políticas de moradia, saúde, previdência e reconhecimento profissional para a categoria, além de defender o pagamento por serviços ambientais e a participação das cooperativas nos recursos da logística reversa e dos créditos de carbono.

A campanha será desenvolvida nacionalmente com foco na mudança de comportamento da população. A expectativa é aumentar o volume de materiais recicláveis encaminhados às cooperativas, melhorar as condições de trabalho dos catadores, reduzir o envio de resíduos para aterros sanitários e contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

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