A parceria ocorreu no âmbito do Núcleo de Cooperação Socioambiental do Oeste do Paraná. Mais de 1,2 milhão de pessoas devem ser beneficiadas.
A Itaipu Binacional formalizou convênio, via Núcleo de Cooperação Socioambiental Oeste do Paraná, para implementar melhorias em saúde e na área socioambiental com impacto direto e indireto em mais de 1,2 milhão de pessoas em 49 municípios. A assinatura ocorreu em evento realizado esta semana, em Cascavel (PR).
Para o diretor-geral da Itaipu, Enio Verri, o convênio assinado com a Fundação Universitária do Campus de Marechal Cândido Rondon (Fundecamp) representa um importante instrumento de cooperação regional entre instituições.
“O convênio é o compromisso com a construção coletiva de soluções para os desafios do território, valorizando o diálogo, a participação social e a integração entre instituições e comunidades. Esperamos que esta parceria contribua para o fortalecimento das políticas públicas e para a promoção de um desenvolvimento cada vez mais sustentável, inclusivo e voltado à melhoria da qualidade de vida da população”, afirmou.
Já a coordenadora do Núcleo Oeste, Rosselane Giordani, destacou a conquista que o acordo representa para o núcleo. “Esse convênio é a concretização do sonho de mais de 150 entidades que fazem parte do núcleo e que pensaram num projeto que vai transformar o nosso território, que vai unir instituições em torno de um mesmo propósito, que é impactar na qualidade de vida das pessoas da nossa região.”
A proponente do projeto “Saúde Territorial e Inclusão Socioambiental no Oeste do Paraná” é a Fundecamp, em parceria com a Unioeste, como integrantes do Núcleo Oeste. O projeto tem como público beneficiário direto os conselhos de saúde, gestores públicos, lideranças sociais e comunidades em situação de vulnerabilidade, incluindo migrantes e refugiados – aproximadamente 2.000 pessoas. O valor total do convênio é de R$ 2,9 milhões.
Indiretamente, envolverá entidades da sociedade civil e universidades integrantes do Núcleo de Cooperação Socioambiental do Oeste do Paraná (aproximadamente 100 entidades) e toda a população dos 49 municípios da região.
De acordo com os dados do convênio, o projeto surge diante de desafios que interligam saúde, meio ambiente e inclusão social, como saneamento precário, qualidade da água, vulnerabilidade social e falta de integração entre políticas públicas. Esses fatores impactam diretamente a saúde da população e sobrecarregam o sistema público. Além disso, há carência de diagnósticos atualizados e de capacitação dos conselhos de saúde para atuar de forma mais integrada, o que justifica a proposta de um modelo que una diagnóstico, formação e comunicação.
O objetivo central é fortalecer a governança participativa em saúde territorial, articulando diferentes atores e promovendo uma abordagem integrada dos determinantes sociais e ambientais da saúde. Para isso, o projeto prevê ações como levantamento de dados, capacitação de lideranças, realização de fóruns, seminários e oficinas, além de campanhas educativas e espaços de diálogo com a população.

Público presente ao evento ocorrido em Cascavel, esta semana, onde foram anunciados diversos investimentos e um deles o convênio na área de saúde no Núcleo Oeste. Fotos: Sara Cheida
A metodologia está estruturada em três eixos principais: diagnóstico e levantamento de dados; formação e articulação social; e comunicação e divulgação dos resultados. Entre as ações práticas estão a realização de pesquisas de campo (incluindo entrevistas com cerca de 2 mil migrantes), mapeamento de resíduos sólidos, capacitação de conselhos e promoção de mutirões de cidadania com serviços básicos de saúde e emissão de documentos. Também será desenvolvido um painel digital interativo para disponibilizar informações públicas e apoiar a tomada de decisões.
Como resultados, o projeto pretende consolidar diagnósticos em todos os municípios atendidos, capacitar conselhos e lideranças, ampliar o acesso à informação e fortalecer a participação social. A proposta está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e busca promover desenvolvimento regional sustentável, integrando saúde, meio ambiente e inclusão social, com impacto duradouro na qualidade de vida da população.
O gestor do projeto, Alessandro Schneider, ressaltou a importância de uma ação de integrada como a que o convênio permitirá. “O projeto favorece a construção de uma sociedade mais inclusiva ao promover o respeito à diversidade cultural e o fortalecimento dos vínculos comunitários entre a população local e os imigrantes. Essa integração social contribui para reduzir situações de exclusão, preconceito e vulnerabilidade, ampliando as oportunidades de participação social e melhoria da qualidade de vida.”
Sobre a fundação
A Fundecamp é uma entidade sem fins lucrativos que atua no apoio e desenvolvimento de projetos científicos, tecnológicos, sociais e ambientais, com experiência na gestão de convênios, inclusive com a Itaipu.
Nos últimos cinco anos, administrou mais de 90 projetos envolvendo universidade, setor público e empresas, financiados por diferentes instituições, beneficiando direta e indiretamente diversos setores da sociedade por meio de ações de pesquisa e extensão.
Sobre os Núcleos
Criados em 2024 no âmbito do programa Itaipu Mais que Energia, os 21 Núcleos de Cooperação Socioambiental fazem parte de uma iniciativa alinhada às estratégias do Governo do Brasil voltadas ao meio ambiente e à transformação econômica e social. A ação, coordenada em parceria pela Itaipu Binacional e pelo Itaipu Parquetec, abrange os 399 municípios do Paraná e 35 do sul do Mato Grosso do Sul, região prioritária da usina.
Os Núcleos funcionam como espaços de escuta ativa, formação e educação, baseados na metodologia da governança participativa. O objetivo é mobilizar coletivamente as instituições parceiras para melhorar a qualidade de vida e promover um futuro sustentável nas comunidades.
Esse tipo de convênio assinado pela Itaipu é, portanto,fruto de uma construção coletiva no território, em que os integrantes do núcleo decidiram conjuntamente em usar os recursos destinados a projetos socioambientais. Até o momento já foram assinados convênios que abrangem outros nove núcleos, os demais 12 estão com projetos em tramitação para também se tornar convênios.






