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Soltura inédita de aves nascidas na Itaipu vai ajudar repovoamento da espécie na Argentina
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02/12/2019

O programa de reprodução de espécies da Itaipu Binacional vai atingir um feito inédito nas próximas semanas. Pela primeira vez, desde que o programa foi criado na década de 1980, animais nascidos no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) serão soltos na natureza.


Aves vão se integrar ao Gran Parque Iberá, na Argentina.

Em setembro, dez aves da espécie mutum-de-penacho (Crax fasciolata) – seis fêmeas e quatro machos – foram cedidas à Fundação Conservation Land Trust (CLT) Argentina e serão soltas em uma área que futuramente vai se integrar ao Gran Parque Iberá, uma área de 700 mil hectares, na província de Corrientes, região onde a espécie está extinta há cerca de 40 anos.

Quando chegaram à Argentina, as aves ficaram em quarentena e, há três semanas, foram soltas em um amplo recinto de pré-soltura para se adaptarem ao novo habitat. Com 100 metros quadrados e 12 metros de altura, o recinto tem espaço suficiente para o animal se socializar com os outros indivíduos e formar casais. Em algumas semanas, será possível abrir as portas do recinto e deixar as aves saírem para esta região do parque, um monte com cerca de 600 hectares.


Chegada das aves em parque argentino. Fotos: Assessoria de Comunicação CLT.

“Todo conservacionista, que trabalha com a preservação das espécies, tem o objetivo de fazer o trabalho completo: proteger os habitats naturais, reproduzir em cativeiro espécies ameaçadas e, depois, reintroduzir indivíduos destas espécies na natureza para formar novas populações silvestres”, disse o superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu, Ariel Scheffer da Silva. “A Itaipu já tem grande sucesso em ações de recuperação de habitats, com a criação dos refúgios biológicos, e na reprodução de espécies ameaçadas. Faltava a reintrodução da natureza”, concluiu.

Segundo Ariel, o RBV já é um centro de referência em reprodução de espécies da Mata Atlântica e de fornecimento destes animais para outros centros. Em relação aos mutuns, por exemplo, já nasceram no Refúgio Biológico de Itaipu 29 aves – mesmo depois de enviados os animais para Argentina, o espaço ainda conta com um plantel de 25 mutuns. Além deles, a Itaipu enviou três antas (Tapirus terrestris), sendo dois machos e uma fêmea, que também serão reintroduzidos na região de Iberá. Um macho de onça-pintada, nascido recentemente no RBV, também deve ser enviado à Fundação Conservation Land Trust (CLT) Argentina, no próximo ano.

 O programa de reprodução de espécies da Itaipu inclui ainda animais como a harpia, a anta, o veado-bororó e a onça-pintada. A reprodução das harpias é a mais bem-sucedida do mundo, chegando a quase 50 aves nascidas no RBV.

Já existem convênios para enviar aves para Nuremberg (Alemanha), Beauvais (França) e para o zoológico do museu Smithsonian em Washington (Estados Unidos). “São locais especializados em reprodução e que vão nos ajudar a aumentar o plantel da espécie. Quando precisarmos de exemplares para soltura, poderemos requisitar com eles”, diz Ariel.

Mutum-de-penacho

Medindo cerca de 80 centímetros e com peso aproximado de 2,5 a 3 quilos, o mutum-de-penacho é uma ave territorialista que se encontra em várias regiões da América do Sul. A espécie Crax fasciolata fasciolata ocorre no Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, no Paraguai e no norte da Argentina nas províncias de Formosa, Chaco, Corrientes e Misiones. Outras espécies como a Crax fasciolata grayi e a Crax fasciolata pinima podem ser encontradas na Bolívia e na Região Norte do Brasil.