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Energia
Para se manter no topo, Itaipu passará por atualização tecnológica
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19/01/2017
 
A usina de Itaipu planeja investir cerca de US$ 500 milhões em um processo de atualização tecnológica que deverá levar cerca de 10 anos para ser concluído. O investimento é necessário para manter a confiabilidade dos equipamentos e assegurar a continuidade do alto desempenho da hidrelétrica, que estabeleceu novo recorde mundial de geração de energia em 2016, com a produção de mais de 103 milhões de megawatts-hora (MWh).
 
“A Itaipu atingiu a sua maturidade e está no auge da produção”, explica o diretor-geral brasileiro da empresa, Jorge Samek. “Porém, para garantir a continuidade desse desempenho nas próximas décadas, com elevada disponibilidade de energia para o Brasil e para o Paraguai, a usina precisará passar por um processo de atualização tecnológica, substituindo equipamentos que estão chegando ao fim de sua vida útil”, completa.
 
Eleita uma das maravilhas da engenharia moderna, Itaipu foi construída com tecnologia de ponta. Porém, trata-se de tecnologia eletromecânica da década de 1970. No início dos anos 2000, esses equipamentos ganharam uma “camada” mais moderna, com o Sistema Digital de Supervisão e Controle (Scada) e o Sistema de gerenciamento de energia (EMS), dando início ao processo de digitalização da usina. 
 
As unidades U9A e U18A, implantadas entre 2004 e 2006, também utilizam tecnologia digital de controle. Modernizações parciais de equipamentos e sistemas foram sendo realizadas ao longo dos anos, porém, sempre de forma pontual. Agora, a binacional quer dar um passo além, com a substituição completa de equipamentos eletromecânicos e sistemas analógicos por sistemas equivalentes, porém digitais, que agreguem novas informações e funcionalidades.
 
Para essa atualização, uma equipe multidisciplinar composta por engenheiros brasileiros e paraguaios da usina vem coordenando com as demais áreas da empresa diversos estudos ao longo dos últimos anos. Uma etapa inicial, realizada entre os anos de 2003 e 2008, promoveu a avaliação dos ativos da hidrelétrica, ou seja, em que estado da vida útil se encontram todos os equipamentos. 
 
“A Itaipu foi construída de forma a ter uma boa conservação de seus ativos. Exemplo disso é que, na época do projeto, adotou-se uma norma canadense, mais exigente, para o controle de qualidade e aceitação dos equipamentos entregues. Além disso, temos um programa de manutenção excelente, que permite, inclusive, que a vida útil seja estendida por um período maior que o preconizado pelas normas, de 35 anos”, explica Eli Marcos Finco, gerente do Departamento de Engenharia Eletrônica e Eletromecânica. “Porém, muitos componentes não são mais fabricados, se tornaram obsoletos e hoje são mantidos ou recuperados pelos laboratórios da Itaipu."
 
Vale destacar que as unidades geradoras estão em excelentes condições e não fazem parte do escopo da atualização neste momento. O foco do projeto de atualização está nos sistemas de controle, proteção, supervisão, regulação, excitação e monitoramento das unidades geradoras e subestações, tais como placas de circuitos, sensores e medidores, entre outros, que estão espalhados por vários quilômetros ao longo da Casa de Força, Barragem, Subestações e Vertedouro. Porém, mais do que simplesmente substituir, o plano é repensar funcionalidades e processos, e permitir uma leitura mais detalhada das unidades geradoras. 
 
“É mais ou menos como um carro”, exemplifica o engenheiro Ângelo Mibielli, que participa do projeto. “Antigamente, o painel do automóvel lhe dava somente algumas informações como a quantidade de combustível, temperatura do motor e óleo. Hoje, fornece uma série de dados, como autonomia, consumo médio, diagnóstico de partes importantes do motor, entre outros. De forma simples, é um dos benefícios que pretendemos com esse projeto de atualização.”
 
Outra comparação utilizada por Mibielli é o celular. Quando as pessoas aposentaram seus modelos mais antigos, precisaram digitar seus contatos e fazer outras operações manualmente para personalizar seu aparelho. Hoje, os dados ficam na nuvem e é muito mais fácil trocar de telefone. Similarmente, esta será uma atualização bastante trabalhosa, mas que deverá facilitar atualizações futuras.  
 
A expectativa da Itaipu é atualizar duas unidades geradoras por ano. Como são 20 unidades de 700 MW cada, a expectativa é concluir a execução do projeto em dez anos. Cada unidade que passar pelo processo precisará ficar parada enquanto é atualizada. Porém, com a experiência acumulada, é possível que o andamento do projeto acelere a medida que é executado. 
Atualmente, a Itaipu está desenvolvendo o projeto básico e executando a etapa de elaboração das especificações técnicas dos equipamentos que serão adquiridos. A expectativa é lançar o processo licitatório para aquisição desses sistemas até o início de 2018.