Na terceira e última reportagem da série, veja também quais os cuidados com quem assume a importante tarefa de cuidar da pessoa com a doença
Por Divisão de Administração de Benefícios – RHGB.AD
O Alzheimer transforma a rotina, mas não apaga a história, os sentimentos e a dignidade da pessoa. Informação, paciência, respeito e afeto são fundamentais para promover qualidade de vida a quem vive com a doença e a quem dedica seu tempo ao cuidado. A terceira e última matéria da série sobre a campanha Setembro Lilás, mês dedicado à conscientização sobre a doença de Alzheimer e outras demências, aborda a adaptação do lar e dicas de convivência com pessoas que têm Alzheimer.
O cuidado vai além do tratamento médico
Conviver com uma pessoa com Alzheimer exige adaptações que promovam segurança, autonomia e qualidade de vida. À medida que a doença evolui, tarefas simples podem se tornar mais difíceis, tornando fundamental a participação da família na rotina e no planejamento dos cuidados. O ambiente doméstico deve ser acolhedor, organizado e seguro, permitindo que a pessoa mantenha o máximo de independência possível.
1) Como tornar a casa mais segura
Pequenas mudanças reduzem significativamente o risco de acidentes:
- Ambientes internos: retire tapetes soltos, organize os móveis para facilitar a circulação, mantenha boa iluminação, instale barras de apoio em banheiros e corredores e sinalize portas e cômodos com figuras simples.
- Quarto: mantenha o caminho livre até o banheiro, utilize iluminação noturna suave e evite excesso de móveis e objetos decorativos.
- Cozinha: supervisione o uso do fogão, utilize dispositivos de segurança e mantenha produtos tóxicos, medicamentos e objetos cortantes fora do alcance.
2) A importância da rotina
Pessoas com Alzheimer tendem a se sentir mais seguras quando mantêm uma rotina previsível. Algumas medidas que ajudam nesse sentido são:
- Horários regulares para refeições, banho e higiene;
- Horário definido para dormir e acordar;
- Atividades de lazer e exercícios físicos compatíveis com suas capacidades, quando liberados pelo médico.
A previsibilidade reduz a ansiedade, a desorientação e os episódios de confusão.
3) O papel da família
Organizando a escala de cuidados
Um dos maiores desafios é a divisão desigual das tarefas, que frequentemente recai sobre uma única pessoa, chamada de cuidador principal, podendo levar ao esgotamento físico e emocional. Para montar uma escala equilibrada:
- Mapeie todas as tarefas (consultas, medicação, higiene, alimentação, companhia, finanças e compras), incluindo a disponibilidade emocional constante;
- Avalie a disponibilidade real de cada familiar;
- Construa a divisão em conjunto, revisando-a periodicamente e, de preferência, por escrito ou em aplicativo compartilhado.
O carinho e a presença
Além da estrutura física, o vínculo afetivo é essencial. Visitas frequentes, conversas, demonstrações de afeto, músicas e fotografias antigas mantêm a pessoa emocionalmente conectada, mesmo quando a memória recente já não responde da mesma forma.
Quando a rede familiar é reduzida
Nem toda família dispõe de parentes para se revezar. Nesses casos, contratar cuidadores profissionais garante supervisão contínua, especialmente diante de maior dependência, risco de quedas ou agitação noturna. Isso não significa “terceirizar o afeto”, mas assegurar segurança e assistência qualificada, permitindo que a família se concentre no que só ela pode oferecer: presença, carinho e acompanhamento das decisões importantes.
A gestão dos recursos financeiros da pessoa idosa
De acordo com o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003), os recursos financeiros da pessoa idosa devem ser utilizados prioritariamente em seu próprio benefício, incluindo despesas com alimentação, medicamentos, cuidadores e adaptações necessárias à sua qualidade de vida.
Em estágios mais avançados da doença, quando a pessoa deixa de ter condições de administrar seus recursos e tomar determinadas decisões, pode ser necessário recorrer à curatela, instrumento legal que permite a nomeação de um representante para auxiliá-la nos atos civis previstos em lei.
O curador deve administrar os recursos exclusivamente em benefício da pessoa idosa, prestando contas quando exigido. Buscar orientação especializada é fundamental para proteger o patrimônio e a dignidade, sem burocratizar as decisões cotidianas que ainda possam ser preservadas.
A doença de Alzheimer é relativamente bem conhecida, mas, apesar disso, ainda não existe uma forma comprovadamente eficaz de garantir sua prevenção. Sabe-se, no entanto, que o estímulo cognitivo constante contribui para retardar a manifestação dos sintomas. Diagnóstico, prevenção e tratamento são os temas da segunda matéria da série sobre a campanha Setembro Lilás, mês dedicado à conscientização sobre a doença de Alzheimer e outras demências.
O Alzheimer pode ser tratado por psiquiatra, geriatra ou por um neurologista especializado no tratamento da doença. O diagnóstico é por exclusão. O rastreamento inicial deve incluir avaliação de depressão e exames de laboratório com ênfase especial na função da tireoide e nos níveis de vitamina B12 no sangue.
O diagnóstico do paciente que apresenta problemas de memória é baseado na identificação das modificações cognitivas específicas. Ele é obtido por meio de exames físicos e neurológicos cuidadosos acompanhados de avaliação do estado mental para identificar os déficits de memória e de linguagem, além de visuoespaciais, que é a percepção de espaço.
4) Quem cuida também precisa de cuidados
Muitos familiares dedicam grande parte do seu tempo ao cuidado da pessoa com Alzheimer e acabam deixando sua própria saúde em segundo plano.
Alguns sinais de sobrecarga merecem atenção:
- Cansaço constante;
- Irritabilidade;
- Insônia;
- Isolamento social;
- Ansiedade;
- Tristeza persistente.
Para evitar o esgotamento, recomenda-se:
- Dividir responsabilidades entre familiares;
- Reservar momentos de descanso;
- Manter acompanhamento médico e psicológico quando necessário;
- Participar de grupos de apoio;
- Preservar atividades de lazer e convívio social.
Lembre-se: cuidar de si mesmo não é egoísmo. É uma condição necessária para continuar cuidando bem de outra pessoa.
Sugestões sobre o tema
Vídeos
Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) e Portal Drauzio Varella.
Livros
36 Horas por Dia
Autores: Nancy Mace e Peter Rabins
Considerado uma das principais referências mundiais para familiares e cuidadores de pessoas com demência. Apresenta orientações práticas sobre cuidados, comportamento e organização da rotina.
O Dia em que Minha Mãe Esqueceu Meu Nome
Autor: Markus Zusak
Relato sensível sobre os impactos da doença na dinâmica familiar.
A Velhice
Autora: Simone de Beauvoir
Obra que convida à reflexão sobre envelhecimento, autonomia e dignidade.