Assinatura da ordem de serviço ocorreu nesta sexta-feira (19). Além da ponte, investimentos da binacional na região incluem projetos de coleta seletiva, segurança hídrica, saneamento e educação ambiental
A Itaipu Binacional e a Prefeitura Municipal da Lapa, no sul do Paraná, assinaram nesta sexta-feira (19) a ordem de serviço para o início das obras de uma ponte sobre o Rio Iguaçu, ligando a Lapa ao município vizinho de São João do Triunfo. A nova ligação deverá impulsionar a economia local, calcada na produção agrícola e no turismo rural, e substituirá o atual transporte por balsas, que só pode ser realizado quando o nível do rio permite.
A construção da ponte representa um investimento total de R$ 10,5 milhões (R$ 8,78 milhões da Itaipu e R$ 1,76 milhões de contrapartida da Prefeitura da Lapa). Será uma estrutura rodoviária de 140 metros de extensão, com capacidade para suportar trânsito pesado, de veículos de até 45 toneladas. A empresa que venceu a licitação é a construtora MS Klauczek.
“Este investimento é resultado do empenho das equipes técnicas da Itaipu, das prefeituras e das lideranças políticas envolvidas. Mas, além disso, é também resultado das políticas públicas do Governo do Brasil”, afirmou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri. “Estamos atendendo diretamente aqueles que mais necessitam, dando prioridade aos municípios de menor IDH do Paraná”, completou.
A iniciativa faz parte do programa Itaipu Mais que Energia, que desde 2023 expandiu a atuação da binacional para apoiar o desenvolvimento dos 399 municípios do Paraná e de 35 do sul do Mato Grosso do Sul.
Logística integrada à vocação do campo
Projetada na divisa entre Lapa e São João do Triunfo, a nova estrutura civil elimina um gargalo logístico histórico e terá impacto direto na circulação de pessoas, bens e mercadorias. A obra beneficiará diretamente as economias de ambos os municípios.
“Este é um marco histórico, um presente pelos 257 anos do município, completados no último dia 13 de junho”, afirmou o prefeito da Lapa, Diego Ribas. “Além do impacto para agricultores e do melhor acesso para moradores e turistas, essa ponte tem um significado muito importante para a segurança dos alunos que hoje utilizam a balsa para estudar nas escolas municipal e estadual de Vila Palmira”, completou o prefeito de São João do Triunfo, Mário Cezar da Silva.


A Lapa se destaca pelo cultivo de grãos, avicultura e por ser o maior produtor de pêssego e ameixa do Paraná, além do turismo associado ao seu patrimônio histórico. Já São João do Triunfo tem 65% de seu PIB ligado ao setor primário, principalmente lavouras e extração de erva-mate.
Para José Zatcerconey, presidente da Associação dos Moradores de Faxinal dos Mineiros, a ponte trará um impacto muito positivo. Morador de um assentamento que se dedica principalmente à produção de tabaco, milho, feijão e hortaliças, ele conta que hoje a produção fica restrita ao município, por causa das limitações da balsa.
Outro agricultor local, Adilson Koslovski, de Vila Palmira, conta que não é possível passar com um caminhão carregado pelo sistema atual. “Às vezes, nem caminhão vazio passa. Também temos dificuldade com maquinário agrícola, como trator e colheitadeira. Outra limitação é o horário de funcionamento, das 8h às 17h, com pausa para o almoço. Com a ponte, vai ter mais opção para comercializar a produção”, completou.
A cerimônia de assinatura da ordem de serviço também contou com a participação dos deputados federais Gleisi Hoffmann, Elton Welter e Tadeu Veneri, e dos deputados estaduais Hussein Bakri e Ana Júlia, entre outras autoridades.
Gestão de resíduos sólidos
Ainda na Lapa, o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, acompanhado de diversas autoridades, visitou a Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis da Lapa. A cooperativa conta com 20 catadores e recebeu apoio da Itaipu para a gestão de resíduos sólidos, incluindo equipamentos como esteiras, prensas, caminhão-baú, uniformes e consultoria administrativa. Entre os principais resultados, está o índice de reciclagem de 30% dos resíduos do município e o incremento da renda dos catadores, que atingiu uma média mensal de R$ 3.600.
A atuação da Itaipu na Lapa, contudo, vai além da infraestrutura de transporte e da reciclagem. Por meio de editais do programa Itaipu Mais que Energia, a Binacional financia diversas organizações sociais, além da instalação de um biodigestor de pequeno porte para o tratamento de resíduos orgânicos na Escola Municipal do Campo Contestado, da ampliação da rede do Sistema de Abastecimento de Água da comunidade de Paiquerê e da recuperação e proteção de 20 nascentes.








