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Meio Ambiente
Onça Cacau comemora um ano de vida e vira símbolo da integração entre Brasil e Paraguai
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21/12/2017
A onça-pintada (Panthera onca) Cacau ganhou uma festa de aniversário nesta quinta-feira (21), no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), para marcar seu primeiro ano de vida, que será completado no próximo dia 28. Com a idade, a onça não precisa mais do acompanhamento da mãe e pode viver em outro espaço, como acontece na natureza. Assim, o pai de Cacau, Valente, voltará a conviver com Nena (a mãe) e dará continuidade ao Programa de Reprodução da Onça-pintada de Itaipu.
 
A previsão é que até a metade do ano que vem ela seja transferida para um recinto novo, que está sendo construído na margem paraguaia da Itaipu. No novo ambiente, ela vai conviver com uma onça-pintada macho e dará início a um programa de reprodução também no Paraguai.
 
“A Cacau representa todo o esforço da Itaipu em prol do meio ambiente e da sustentabilidade. Agora, ela vai representar também a nossa integração com o Paraguai, porque vai passar a morar do outro lado do rio”, comentou o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Luiz Fernando Leone Vianna.
 
De acordo com o superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu, Ariel Scheffer da Silva, outras instituições internacionais têm interesse em fazer intercâmbio de animais com o RBV. Espécies como antas e veados podem ser transferidas para o Parque Nacional Iberá, uma área de quase 140 mil hectares comprados pela ONG Conservation Land Trust, na Província de Corrientes, Argentina, para proteger animais em risco de extinção.
 
Imitação da natureza
 
Cacau pesa cerca de 50 kg e tem praticamente o mesmo tamanho da mãe, Nena. Ela é um exemplo bem-sucedido de reprodução de onça-pintada em cativeiro, a primeira nascida no RBV em 14 anos de tentativas, desde a criação do projeto.
 
No manejo da espécie, os profissionais do Refúgio de Itaipu usam técnicas para deixar o recinto o mais próximo do ambiente silvestre. “A gente simula várias situações da natureza”, explica o biólogo Marcos de Oliveira, “no recinto há um lago, troncos, pedras para fazê-las se exercitar”. Também são colocadas fezes de animais menores, para simular o odor das presas, além de outros estímulos que contribuem para o enriquecimento ambiental.
 
De acordo com o biólogo de Itaipu, a presença da mãe é importante até o primeiro ano de vida. Neste período, o pai permanece separado e se reveza no recinto. Isso ocorre porque o macho não desenvolve instintos para cuidar dos filhotes e pode machucá-los. A partir do primeiro ano de vida, a onça começa a buscar novos espaços para criar a própria família.
 
Festa para Cacau
 
Turistas, imprensa, tratadores do RBV, empregados da Itaipu e outros convidados participaram do aniversário da Cacau, que ganhou um bolo congelado de carne. Aos participantes da festa foi feito um bolo “tradicional”. Todos cantaram os “Parabéns para você”.
 
Entre os convidados estavam duas crianças atendidas pela Associação Cristão de Deficientes Físicos (ACDD) de Foz do Iguaçu. David, de 5 anos, que tem deficiência intelectual, e Adrian, 10 anos, com paralisia cerebral, estavam curiosos para ver as tais onças-pintadas. “Para eles é um dia especial. Jamais imaginariam estar diante de um animal deste tamanho”, explicou o presidente da ACDD, Josias Florencio. 
 
“Queremos trazer todas as crianças da ACDD para visitar o refúgio biológico, em 2018”, afirma Florencio. A entidade atende 113 crianças com algum tipo de deficiência, em Foz do Iguaçu, com aulas da grade curricular do ensino fundamental. “Em outros Estados, as instituições apenas cuidam das crianças, mas aqui, no Paraná, a gente também as educa”.
 
Quem também acompanhou de perto as homenagens à onça do refúgio foi Delci Alves de Oliveira, um dos 23 tratadores responsáveis pelos cuidados com os animais do RBV. Com mais de 25 anos de trabalho, ele já conheceu todas as onças-pintadas de Itaipu, de Juma à Cacau. “Isso aqui é a minha vida, é como minha segunda casa”, diz.
 
A rotina de Delci começa quando são soltas as onças no recinto (em alguns dias da semana é a vez de Valente, em outros, de Nena e Cacau). “A mãe sempre vai na frente e, em seguida, vem a filha. Para recolher as duas é a mesma coisa. Acho isso certo, a filha tem que seguir a mãe”, brinca. O tratador ainda consegue diferenciar as duas pelo tamanho e por certa agitação típica de filhote de Cacau.
 
O tratador diz não querer estar trabalhando no dia em que a onça-pintada tiver de partida. “A gente cria uma afinidade com as onças, a Juma era muito querida”, conta. Mas ele sabe que uma futura mudança de recinto será o melhor para Cacau, Nena, Valente e para a reprodução da espécie.