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Tecnologia
Novos equipamentos fazem mapeamento a laser dentro e fora da Itaipu
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03/09/2019

A picape da Divisão de Estudos da Itaipu Binacional passa a 40 km/h sobre aquela estrada em construção. Acoplada a um suporte especial instalado na caçamba, uma máquina de mapeamento a laser faz uma leitura em 360° de todo o caminho percorrido. O material é levado para o escritório e gera um mapa tridimensional com várias informações necessárias para a equipe acompanhar a evolução daquela obra.


Parte da equipe da ODRE.CD e os novos equipamentos. Foto: Sara Cheida/Itaipu Binacional.

O equipamento, um Pegasus 2 Ultimate (P2U), é uma das duas novas aquisições da área para fazer medições dentro e fora da Itaipu. É o primeiro adquirido na América Latina. Ele foi comprado no início do ano junto com a ScanStation P50, um equipamento mais leve, que é afixado a um tripé e também é usado para o mapeamento de alta precisão, com alcance de até 1.000 metros.

Ambos os equipamentos utilizam a tecnologia de laser scanner para obter a distância entre o equipamento e os objetos de interesse. A partir de uma densificação de pontos medidos com o laser é possível obter dados que permitem a sua modelagem espacial. A frequência do laser é de classe 1 (de acordo com o padrão internacional), que garante segurança para os olhos de observadores.

De acordo com o gerente da Divisão de Estudos, João Paulo do Prado, os dois equipamentos serão usados nos trabalhos da área, como o acompanhamento das obras da ciclovia na Vila A e da Tancredo Neves, a construção da nova estrada de acesso ao Parque Tecnológico Itaipu (PTI), além de apoiar atividades de outras divisões da Coordenação e demais diretorias.

“A aquisição dos equipamentos coincide com a implantação do BIM na Itaipu”, explica João Paulo. A plataforma BIM (Building Information Modeling) permite criar modelos virtuais 3D em alta precisão e vai complementar a base atual, que utiliza a tecnologia CAD (Computer Aided Design), ou desenho assistido por computador, uma forma de representação em 2D feito no computador, e que domina o mercado desde a década de 80.

O projeto de substituição da nova tecnologia reúne 20 pessoas das três diretorias (Coordenação, Administrativa e Técnica) e fará uma transição histórica no modelo de elaboração de projetos de engenharia e arquitetura na Itaipu.

Um milhão de pontos por segundo

Para fazer uma leitura utilizando, por exemplo, com a ScanStation P50, o profissional arma o tripé e posiciona o equipamento no local de interesse. Então, ele faz algumas predefinições como a densidade dos pontos e a área de varredura.

O acionamento pode ser feito por um celular, a distância, para que a pessoa não fique em frente à câmera. Em funcionamento, a máquina consegue registrar um milhão de pontos por segundo, fornecendo uma leitura completa da área.

A título de comparação, atualmente em uma saída de campo, uma equipe de três pessoas registra, ao final do dia, cerca de 1.400 pontos utilizando a estação total – uma espécie de câmera que focaliza um prisma, a certa distância, para marcar o ponto. “Com mais pontos, teremos uma maior precisão das medições, com grande ganho de produtividade”, afirma João Paulo.

Integração entre diretorias

Tanto o P2U quanto a P50 serão utilizados em trabalhos com diferentes diretorias. Um exemplo é o mapeamento periódico da ciclovia da Vila A, obra executada por uma empresa terceirizada. Os dados gerados pela Divisão de Estudos permitem fazer o cálculo do volume de terra movimentado a cada intervalo de tempo. Esses dados são utilizados pela área gestora, a Divisão de Infraestrutura e Manutenção, para as medições.

De acordo com o gerente do Departamento de Interação Regional da Itaipu, Robinson Matte, “esses equipamentos serão utilizados para obtenção de dados de diversas obras em realização pela Diretoria de Coordenação, entre elas a segunda ponte entre o Brasil e Paraguai”.

O mapeamento para a elaboração da base de dados BIM das edificações, projeto coordenado pela Diretoria Administrativa, será realizado utilizando a ScanStation P50. Como projeto-piloto, o Escritório Central está sendo mapeado por uma empresa terceirizada utilizando um equipamento similar ao da Itaipu. O trabalho é coordenado pela Divisão de Infraestrutura da Itaipu.

“Iremos aproveitar este trabalho para aperfeiçoar nossos processos internos de captura, manipulação e disponibilização dos dados em conformidade com as necessidades dos nossos clientes”, conclui João Paulo.