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Meio Ambiente
Vitrine de Agroecologia resgata cultivo de plantas comestíveis não tradicionais
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06/02/2018
A produtora rural Alzira Maria Balandeleno, 77 anos, estava curiosa. Apesar da experiência, ela estava intrigada com uma planta que desconhecia. "Tenho um monte disso em casa, mas não sabia o nome. Nem que era comestível", disse. Dona de uma pequena propriedade em Santa Izabel do Oeste, ela e a vizinha, Loelite Vanzeto, 50 anos, foram ver as novidades da Vitrine Tecnológica de Agroecologia, um dos destaques do Show Rural Coopavel 2018, que começou nesta segunda-feira (5), em Cascavel (PR), e continua até sexta (9).
 
 
Ensinar que muitas plantas desconhecidas podem ser comestíveis é exatamente um dos focos da Vitrine. São 2.600 m² que simulam uma propriedade rural, utilizando apenas técnicas de agroecologia, isto é, livre de agrotóxicos e sem agredir o meio ambiente. O espaço é resultado de uma parceria entre 12 instituições, como universidades e institutos de pesquisas governamentais e não governamentais. Entre elas, a Itaipu Binacional.
 
"Aqui é a única área que se fala exclusivamente de agroecologia, tema que não poderia faltar em uma feira tão importante como o Show Rural", afirma o técnico agrícola Ronaldo Pavlak, um dos representantes da Itaipu na Vitrine. "Temos a obrigação de mostrar que existem culturas que agridem menos o meio ambiente e podem gerar novas fontes de receita aos produtores.”
 
Segundo Pavlak, a vitrine mostra diversas tecnologias como a captação e aproveitamento da água da chuva, o aquecimento solar da água, o desidratador de frutas solar, o sistema agroflorestal da plantação em forma de mandala, plantas medicinais e as Plantas Alimentares Não Convencionais (PANCs), tema de sua responsabilidade.
 
"As chamamos de plantas não convencionais porque outras foram sendo melhoradas geneticamente ao longo do tempo, criando uma cadeia produtiva já estabelecida e, por isso, são mais consumidas", explica. "As PANCs são mais rústicas, produzem menos, mas são de cultivo mais fácil porque não têm problema com doença e pragas. Além disso, têm um valor nutricional muito maior.”
 
De acordo com o técnico agrícola, para uma alface ser crocante e ter a cor e o sabor atual, ela passou por anos de mudanças genéticas. Neste melhoramento, ficaram de lado as questões nutricionais e, por isso, a alface que comemos hoje têm menos valor nutritivo que a de antigamente. "Quando se melhora a planta, acaba se optando pela estética e perde o valor nutricional", resume.
 
Na Vitrine Agroecológica estão expostos mais de cem cultivos altamente nutritivos. Desde a alface nativa até espécies desconhecidas, como a capuchinha, que dispensa o tempero em seu consumo, ou a bertalha coração, que tem quase dez vezes mais ferro que o espinafre. Além das PANCs, o técnico mostra plantas convencionais que não são aproveitadas em sua totalidade. "As folhas da batata-doce podem ser consumidas refogadas e o caule pode ser cozido e comido como se fosse um feijão-vagem. O sabor é muito bom", recomenda.
 
Plantas Medicinais
 
Outro destaque da participação de Itaipu na Vitrine Agroecológica são as cerca de 50 plantas medicinais expostas na mandala, junto com outras plantas. "Estamos mostrando as espécies mais conhecidas do Oeste do Paraná, a partir de uma publicação da UFPR [Universidade Federal do Paraná], que é nossa parceira", explica a engenheira agrônoma Liziane Cadine Pires, da Divisão de Ação Ambiental da Itaipu.
 
"A gente trouxe estas plantas para que as pessoas se identifiquem com elas, reconheçam e também passem a cultivá-las em casa", complementa. De acordo com Liziane, outra estratégia da Ação de Plantas Medicinais da Itaipu é o enfoque na produção comercial deste tipo de cultivo. "Incentivamos que sejam cultivadas determinadas espécies que têm mais apelo comercial. O importante é que as pessoas passem a utilizar mais os medicamentos naturais e diminuir o uso de produtos de farmácia.”