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Meio Ambiente
CAB é escolhido pela ONU como melhor prática de gestão da água
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21/03/2015

Às vésperas do Dia Mundial da Água (22 de março) e numa época de escassez em várias regiões do Brasil, com impacto no abastecimento de água e na produção de energia elétrica, uma iniciativa brasileira foi apontada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a melhor política de gestão de recursos hídricos no planeta. É o programa Cultivando Água Boa (CAB), desenvolvido pela Itaipu Binacional e mais de dois mil parceiros na Bacia do Paraná 3, na região Oeste do Paraná.

O anúncio da premiação foi feito nesta sexta-feira (20), na Índia, pela ONU Água (http://www.un.org/waterforlifedecade/winners2015.shtml).
  
O programa da Itaipu concorreu com 40 práticas de todo o mundo e obteve o 1º lugar na categoria “Melhores práticas em gestão da água” do Prêmio Water for Life 2015 (água para a vida, em tradução livre). Outras 25 práticas concorreram na categoria "Melhores práticas de participação pública, educativas, de comunicação e/ou de sensibilização". A premiação, concedida pela ONU-Água, será entregue na sede da ONU, em Nova York, no próximo dia 30 de março.

Avaliação

O comitê avaliador reuniu especialistas em meio ambiente, água e desenvolvimento sustentável. Fizeram parte do comitê, entre outros, Blanca Jimenez Cisneros, diretora da Divisão de Ciências da Água e secretária do Programa Hidrológico Internacional da Unesco; Olcay Ünver, diretor da Divisão de Solo e Água da FAO; Thomas Chiramba, chefe da Unidade de Ecossistemas Aquáticos da Unep; e David Coates, oficial de Assuntos Ambientais da Convenção de Diversidade Biológica da ONU.

Para o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek, o significado desse prêmio transcende todas as premiações nacionais e internacionais já recebidas pelo Programa Cultivando Água Boa, pois traz o incontrastável peso e credibilidade da ONU. “É um reconhecimento que se estende aos mais de dois mil parceiros da iniciativa, pois se trata de um programa participativo, no qual a responsabilidade é assumida e compartilhada por todos os atores sociais da bacia hidrográfica. É esse o grande diferencial do programa, que vem contribuindo para uma constante melhoria das condições ambientais da região”, acrescentou.

Cultivando Água Boa

O Programa Cultivando Água Boa reúne um conjunto de diversas ações socioambientais da Itaipu e parceiros, executadas nos 29 municípios que compõem a Bacia Hidrográfica do Paraná – Parte 3 (BP3), no Oeste do Paraná. Em cada município, há um comitê gestor, com forte participação popular, uma das principais características do CAB.

O programa se fundamenta na gestão integrada de bacias hidrográficas e atua por bacia, sub-bacia e microbacia, visando garantir a quantidade e a qualidade das águas e, também, a sustentabilidade do território, com visão sistêmica e holística da relação do homem com o meio onde vive.
    
“Seguindo a pedagogia freiriana (desenvolvida pelo educador brasileiro Paulo Freire), a estratégia é organizar as comunidades a partir de uma metodologia que garante ampla participação e envolvimento dos atores locais, desde o diagnóstico situacional, passando pelo planejamento, a execução e a avaliação das ações. Esse aspecto da governança do programa, de democracia direta, é o principal fator de sucesso e reconhecimento do CAB”, disse o diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu, Nelton Friedrich, responsável desde o início pela coordenação geral do Cultivando Água Boa.

Resultados

Entre as principais ações do programa, está a recuperação de microbacias hidrográficas, com ênfase na proteção de nascentes, recomposição de matas ciliares, conservação de solos, estradas readequadas, instalação de abastecedouros comunitários da água e implantação de cisternas para o reuso da água, além de atuar na promoção de sistemas de produção e consumo mais sustentáveis, com novos arranjos produtivos locais. Hoje, graças ao incentivo dado pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar à aquisição direta, 60% dos alimentos oferecidos nas escolas municipais dos 29 municípios são produzidos por agricultores familiares da região.

A inclusão social e produtiva de segmentos vulneráveis alcança comunidades indígenas, pescadores, quilombolas, catadores de recicláveis, jovens e pequenos produtores. Há uma forte ação educacional e ampla construção de uma cultura da água, com ênfase em seus usos múltiplos, dentre os quais se destacam o abastecimento das cidades, a geração de energia, a produção de alimentos e a sustentação dos ecossistemas.

Passada mais de uma década após o início da sua implantação na BP3 (uma região com aproximadamente um milhão de habitantes e 800 mil hectares de área), o programa já está em estado avançado em aproximadamente 30% desse território, resultando em 206 microbacias hidrográficas recuperadas.