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Position Papers
A reconstrução da imagem do Destino Iguaçu
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18/06/2010

A construção da imagem de um destino turístico é um processo complexo, que não depende apenas dos fatores intrínsecos, relacionados aos seus atrativos, naturais e edificados, ou à oferta de produtos e serviços, mas de uma série de variáveis incontroláveis, que influenciam direta e indiretamente a percepção moldada no imaginário das pessoas.

Por isso, quanto mais real e menos fantasiosa for a imagem, maior será a sua projeção e a sua representatividade. Diante dessa premissa, podemos ir mais longe e afirmar que, quanto mais agradável para os seus cidadãos for um destino turístico, maior será a sua credibilidade e o reconhecimento público.

O Destino Iguaçu é uma marca valiosa, que andava mal cuidada. Por muitos anos, sua imagem esteve associada a elementos e símbolos negativos. A “terra das Cataratas” ficou conhecida como “terra da muamba”, “destino dos sacoleiros”. A cidade cosmopolita, que abriga mais de 60 grupos étnicos, passou a ser tachada de “cidade de contrabandistas e traficantes” e, mais recentemente, foi acusada de abrigar “grupos terroristas”. A marca se desvalorizou. Perdemos prestígio e glamour.

Ainda hoje, muitas dessas imagens negativas persistem, indissociáveis, na nossa realidade. Parecem imitar a Bersabéia subterrânea, uma das cidades invisíveis de Calvino. No entanto, para ser bem-sucedida no trabalho de reconstrução da sua imagem, temos que fazer com que a Foz do Iguaçu subterrânea (“receptáculo de tudo o que lhes ocorre de desprezível e indigno”) tome a celeste, suspensa no céu (“onde gravitam as virtudes e os sentimentos mais elevados”), como modelo e as duas, juntas, formem uma única cidade.

E que, assim, possamos construir uma cidade que garanta melhor qualidade de vida para todos os seus cidadãos. Uma cidade que seja capaz de gerar renda e riqueza pela economia local. Que supere as desigualdades, a violência e a informalidade. E assegure condições básicas de infraestrutura urbana, como saneamento básico e moradia digna para toda a sua população. Uma cidade que vivencie o turismo e que se assuma enquanto cidade turística.

É o que está faltando para Foz do Iguaçu. Que cidadãos e governantes – e, sobretudo, estes últimos - tenham profundo sentimento de pertencer a esse lugar. E que descubram, finalmente, o turismo como principal vocação econômica da cidade.

Temos orgulho de participar desse movimento integrado, que conta com o envolvimento de todas as entidades representativas do trade turístico local (Itaipu, Secretaria Municipal de Turismo, Comtur, ICVB, Sindihotéis, ABIH, Abav, Sindetur, Singtur, ICMBio, Instituto Polo Iguassu e FPTI, dentre outras entidades), pela reconstrução da imagem do Destino Iguaçu. É um movimento que está melhorando o perfil dos turistas que vêm a Foz do Iguaçu. Que projeta uma nova imagem do destino. E tem compromisso com o presente e o futuro.

Isso só foi possível porque a Itaipu, na gestão comandada pelo diretor-geral brasileiro, Jorge Samek, mudou a sua missão institucional e incorporou a promoção do turismo como uma prioridade da empresa. A mudança de foco em sua atuação permitiu à Itaipu se aproximar da comunidade. Antes fechada em seus estreitos limites, a empresa ampliou seu relacionamento com o trade turístico local e regional. Assumiu a coordenação das atividades de promoção e divulgação do Destino Iguaçu, numa ação inédita, desenvolvida em parceria com todas as entidades representativas do setor.

Esse trabalho integrado, técnico, profissional, teve início com o lançamento da campanha de posicionamento do Destino Iguaçu denominada Foz do Iguaçu, Destino do Mundo. Teve prosseguimento com a campanha Temporada Boa em Foz, para estimular a ocupação hoteleira no período de baixa temporada. E seguiu adiante com a mobilização em torno da campanha Vote Cataratas, que classificou as Cataratas do Iguaçu para a final do concurso mundial que vai escolher as novas sete maravilhas da natureza, em 11 de novembro de 2011. 

Os ganhos de imagem são evidentes. A imagem dos nossos atrativos nunca esteve tão boa. Estamos batendo recordes sucessivos de visitação. O trabalho integrado tem a aprovação da comunidade local e regional, atestada pelos parceiros envolvidos e em pesquisas de opinião realizadas. E recebe, também, o reconhecimento externo.

Em 2009, Foz do Iguaçu foi escolhida como o melhor destino turístico do Brasil entre as cidades “não capitais”. Na pesquisa do Ministério do Turismo, realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), sobre a competitividade dos 65 destinos indutores do desenvolvimento turístico regional – Relatório Brasil 2009, Foz do Iguaçu ficou com a melhor pontuação em cinco dimensões: acesso; serviços e equipamentos turísticos; marketing e promoção do destino; capacidade empresarial; e aspectos ambientais.

Vencida a primeira batalha, a da reconstrução da imagem, agora, nossa preocupação se direciona para o enfrentamento dos novos desafios que se apresentam. A implantação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), a possível eleição das Cataratas do Iguaçu a uma das novas sete maravilhas da natureza e a realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 no Brasil exigem atenção redobrada.

Uma necessidade urgente é melhorar as condições de infraestrutura. O Aeroporto Internacional das Cataratas precisa ser reformado e ampliado. A Rodovia das Cataratas, única via de acesso ao aeroporto e ao Parque Nacional do Iguaçu, deve ser imediatamente restaurada e, nos próximos anos, duplicada. O corredor turístico de Foz do Iguaçu merece cuidados urbanísticos – e paisagísticos. E os acessos à Argentina e Paraguai exigem uma nova abordagem.

Outro desafio urgente para o Destino Iguaçu é melhorar a qualidade dos serviços prestados, elevando, com isso, o índice de satisfação dos nossos visitantes. O empresariado já responde com mais de R$ 250 milhões em investimentos na melhoria e ampliação dos atrativos e da capacidade hoteleira. É só o começo.

A chegada da Unila abre uma nova perspectiva para o turismo e, também, para o setor de serviços. Acredita-se que ela ajudará Foz do Iguaçu a se firmar como cidade turística e do conhecimento. A Unila vai atrair estudantes e familiares de todos os países latino-americanos, não apenas pelos cursos que serão ofertados, mas também pelos eventos diretos e indiretos com os quais estará envolvida. Seu campus, que tem projeto assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, será um novo cartão-postal para a cidade.

A recente criação do Fundo de Desenvolvimento e Promoção Turística do Iguaçu, o Fundo Iguaçu, é uma iniciativa criativa que vem garantir sustentabilidade para as ações do Destino Iguaçu, independentemente das possíveis mudanças políticas que possam vir a ocorrer no comando da Itaipu Binacional, Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu, e governos estadual e federal.

O Fundo Iguaçu será abastecido com receitas provenientes das contribuições voluntárias sobre os ingressos nos atrativos e, também, pelo repasse da room-tax, cobrada pelos hotéis. Além de outras fontes de renda. Sua criação, no entanto, não eximirá Itaipu e Prefeitura de Foz de continuarem fazendo a sua parte.

O Fundo Iguaçu é gerido por um Comitê Gestor e conta com a representação das 13 principais entidades atuantes no turismo de Foz do Iguaçu. Seu plano estratégico de aplicação dos recursos é aprovado em Assembléia Geral, por todos os participantes, sem qualquer ingerência política.

É desta forma, com iniciativa privada e poder público trabalhando unidos, que estamos reconstruindo a imagem do Destino Iguaçu, zelando pela sua reputação institucional, e tornando-o, com ações planejadas e qualificadas, alvo permanente de exposição na mídia e de atenção pública. Tudo com um único objetivo: fazer de Foz do Iguaçu um lugar cada vez melhor para os turistas e as pessoas que aqui vivem.

Gilmar Piolla é superintendente de Comunicação Social da Itaipu Binacional e presidente do Fundo de Desenvolvimento e Promoção Turística do Iguaçu – Fundo Iguaçu.