Encerrado em maio, o 2º ciclo de encontros promoveu atividades sobre uso seguro da tecnologia para idosos, análise crítica de conteúdos e fortalecimento da participação comunitária
O 2º ciclo de encontros dos Núcleos de Cooperação Socioambiental em 2026, encerrado no fim de maio, reuniu mais de mil participantes no Paraná e Sul do Mato Grosso do Sul em uma ampla mobilização voltada à qualidade da informação e cidadania digital. Desse total, cerca de 300 idosos participaram da oficina “Como evitar golpes, desinformação e outras armadilhas digitais”, promovida pela Itaipu Binacional e pelo Itaipu Parquetec.
Primeira atividade dos Núcleos direcionada exclusivamente ao público 60+, a oficina levou conhecimentos essenciais para uma geração cada vez mais conectada e inserida no ambiente digital, como contou Lídia Poiatti, 69 anos, que participou da oficina em Cruzeiro do Oeste (PR).

Lídia Poiatti participou da formação para o público 60+ com o Núcleo Entre Rios e destacou como sua geração está reprendendo a entender o mundo com as novas tecnologias. Crédito das fotos: VideoUp/Parquetec
“Estamos reaprendendo a entender o mundo. Hoje tudo acontece muito rápido e o mundo é muito diferente. Sinto que fiquei para trás com toda essa velocidade, então é importante entender toda essa mudança, e a oficina foi muito importante para mim”, relatou Lídia.
O mesmo sentimento foi compartilhado por Marilene Vissotto, agricultora aposentada que participou da oficina em Cascavel (PR). Aos 66 anos, ela conta que teve seu primeiro contato com um celular aos 50 anos, inicialmente apenas para realizar ligações. O uso do smartphone veio anos depois e, ao mesmo tempo em que trouxe praticidade para o dia a dia, também apresentou novos desafios e riscos.
“Eu saí de casa e me casei muito jovem, então por anos não tive contato com alguns familiares pela dificuldade de comunicação. Hoje eu falo com toda a minha família por chamadas de vídeo e mensagens, mas, com a oficina, entendi que isso também pode ser usado por golpistas, que se passam por pessoas conhecidas para tentar nos enganar. Gostei muito da forma como explicaram como reconhecer essas mentiras”, afirmou.

Marilene Vissotto esteve entre as alunas do Núcleo Oeste PR e citou a necessidade de estar sempre atenta ao navegar pela internet
Evitando armadilhas digitais
As oficinas abordaram os temas de forma acessível, utilizando exemplos práticos relacionados ao uso de celulares, aplicativos de mensagens, redes sociais e compras online. Ao longo das atividades, os participantes aprenderam como as informações circulam no ambiente digital e quais cuidados podem adotar para navegar com mais segurança.
A identificação de golpes virtuais esteve entre os assuntos que mais despertaram interesse. Para Leocádia Algauer, de 67 anos, líder de uma associação de idosos em Pontal do Paraná, a oficina também teve um papel multiplicador.
“Em nosso espaço eles se divertem, se distraem e deixam a tristeza de lado, mas também aprendem bastante. Quero compartilhar tudo o que aprendi e mostrar que eles precisam se precaver”, disse.
José Marques, de 87 anos, emocionou-se ao relatar sua experiência durante a atividade. “Hoje eu descobri coisas que nunca imaginei em toda a minha vida. Essas pessoas tentam se aproveitar da nossa idade e acham que não sabemos identificar malícias, tentando nos fazer entregar o que não temos. Mas isso muda quando temos conhecimento, como o que aprendemos aqui”, contou.

Em depoimento emocionado, José Marques, de Cruzeiro do Oeste (PR), disse que antes da formação, não conhecia muitos dos golpes que são aplicados, mas que passará a redobrar a atenção
Rede pela qualidade da informação
Enquanto as oficinas voltadas ao público idoso aconteciam, os demais participantes dos Núcleos acompanharam a atividade “Fato ou Boato?”, dedicada à valorização de informações confiáveis e ao fortalecimento da análise crítica de conteúdo.
Por meio de dinâmicas colaborativas, os participantes refletiram sobre a circulação de informações, os impactos da desinformação e a importância de decisões baseadas em evidências. Ao final de cada ciclo, os resultados produzidos coletivamente foram sistematizados para apoiar o planejamento e o desenvolvimento de ações e projetos nos territórios.
“A tecnologia faz parte da vida das pessoas e influencia a forma como nos relacionamos, trabalhamos e participamos da sociedade. Por isso, é importante que esse conhecimento esteja ao alcance de todos. Com as oficinas, fortalecemos o aprendizado colaborativo”, afirmou o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri.
Próximas atividades

Para Leocádia Algauer, que participou com o Núcleo Litoral PR, a oficina foi importante para aprender mais sobre o assunto e poder replicá-lo com a associação para idosos que lidera em Pontal do Paraná
Além das oficinas presenciais, os participantes da formação voltada às pessoas idosas terão acesso a uma nova etapa de capacitação por meio de uma aula virtual gratuita, com foco nos riscos relacionados ao uso da inteligência artificial para aplicação de golpes.
Os Núcleos de Cooperação Socioambiental retomam os encontros presenciais a partir de agosto, com mais dois ciclos de encontros previstos para o segundo semestre de 2026. A programação contará com novas agendas coletivas e oficinas gratuitas voltadas aos integrantes dos Núcleos e às comunidades participantes.







