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Institucional
Morre Helmut Kohl, ex-chanceler alemão que inaugurou o Bosque do Visitante de Itaipu, em 1991
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16/06/2017
Morreu nesta sexta-feira (16), em Ludwigshafen, na Alemanha, o ex-chanceler Helmut Kohl, responsável pelo processo de unificação das duas Alemanhas. Kohl tem uma relação próxima com Itaipu: em 23 de outubro de 1991, com o plantio de uma muda de ipê-roxo, o chanceler inaugurou o Bosque do Visitante, espaço que reúne, hoje, 532 árvores plantadas por autoridades do mundo todo.
 
 
Kohl tinha vindo ao Brasil para participar da Conferência Rio-92, no Rio de Janeiro, evento das Nações Unidas que reuniu autoridades do mundo todo para debater sobre os problemas ambientais. Em virtude do evento, a área de Relações Públicas de Itaipu recebeu, na época, vários pedidos de visitas ilustres. Surgiu, assim, a ideia de criar um bosque para marcar as passagens de cada autoridade pela empresa.
 
 
Na ocasião, o então chanceler visitou a usina e comentou: "Itaipu é um exemplo fantástico de uma obra pacífica construtiva". Ele ficou admirado com a tecnologia desenvolvida para construção da usina. Também chamou a atenção de Kohl o fato de ter plantado um ipê-roxo, árvore nativa da região: "Meu pai tinha como tradição em minha família, plantar uma árvore cada vez que nascesse um filho. Ele plantou três árvores. Um dos meus irmãos tombou na guerra, mas a árvore que meu pai plantou continua dando frutos", afirmou.
 
 
A árvore de Helmut Kohl também continua forte a cada florada no Bosque dos Visitantes.
 
Um cara grande
 
O plantio inaugural se perde em quase 26 anos no passado, mas quem estava presente neste dia consegue lembrar bem um detalhe: a altura do visitante ilustre. “Eu estava segurando a toalha para ele enxugar a mão, lembro que ele tinha um pezão e a pegada ficou marcada bem fundo na terra”, conta o assistente de relações públicas, Wellington Santos da Silva, que entrou na Itaipu em 1986, como Mão de Obra Contratada.
 
Não é de graça que o fotógrafo Adenésio Zanella, terceirizado da empresa desde 1989, recorda-se do mesmo detalhe. “Ele era muito alto e tinha uma assistente baixinha. Ele tinha que se dobrar para falar com ela. Acho que o número do sapato era 44 ou 46. Era bem grande”, conta. De acordo com Zanella e Wellington, a muda de ipê aguentou bem a pisada. Hoje, ela é uma das maiores do Bosque dos Visitantes e continua colorida a cada florada.
 
União das Alemanhas
 
Helmut Kohl faleceu aos 87 anos. Ele vivia em cadeira de rodas desde 2008, quando, após uma queda, sofreu problemas de fala e locomoção. Em 2012, foi submetido a uma operação cardíaca. Desde 2002 fora da política, o alemão ainda detém o recorde como chancelar no pós-guerra com mais mandatos consecutivos: quatro, entre 1982 e 1998.
 
Considerado um dos grandes arquitetos da União Europeia, Kohl se destacou na política nacional em 1976, como chefe da oposição. Ele chegou à chancelaria em 1982, após ganhar uma moção de censura contra o então chefe do Executivo alemão, o social-democrata Helmut Schmidt. Um ano depois, foi ratificado pelas urnas no posto de chanceler e se manteve no cargo até 1998, quando foi derrotado pelo social-democrata Gerhard Schröder.
 
Bosque do Visitante
 
Após a primeira árvore de Kohl, várias outras foram plantadas para formar o Bosque do Visitante. São chefes de estado, políticos, artistas e personalidades das mais variadas áreas, do Brasil e do exterior, todos homenageadas com uma árvore com seu nome na margem esquerda da binacional. Atualmente, o bosque tem 532 árvores.
 
Para manter o bosque sempre vistoso, o pessoal da Divisão de Área Protegidas da Itaipu tem um trabalho duro e diário. As árvores são cuidadas com o mesmo carinho com que são plantadas. Um processo de manutenção minucioso é feito várias vezes por ano, por técnicos especializados: além da irrigação, a grama é aparada e são retirados galhos doentes e plantas daninhas.
 
Quando o bosque foi criado, foi necessário preparar o terreno. Uma camada espessa de terra foi colocada por cima da rocha de basalto. Há também uma seleção de quais espécies são plantadas, com o critério de serem nativas e que se adaptem bem ao clima da região e à condição dos bosques, ou seja, sem competir em espaço com as outras dentro do solo.