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Responsabilidade Social
Foz do Iguaçu “exporta” método de combate à dengue, zika e chikungunya
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06/07/2017
O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Foz do Iguaçu inovou na estratégia de combate ao mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. O foco agora é o ataque. Antes de o mosquito atacar, ele é surpreendido com armadilhas. O trabalho deu tão certo que o projeto já está sendo testado em Ciudad del Este, na fronteira do Brasil com o Paraguai.
 
Clique na imagem para baixar arquivo em alta resolução. Crédito: Kiko Sierich/PTI.
 
A iniciativa reúne o Grupo de Trabalho para Integração das Ações de Saúde na Área de Influência da Itaipu (GT Itaipu-Saúde). Inicialmente, o projeto-piloto terá a duração entre seis meses e um ano. Em Foz, ele é permanente. São mais de 3,5 mil armadilhas espalhadas por toda a cidade brasileira – uma em cada quarteirão.
 
O projeto desenvolvido no CCZ leva o nome de “MÉTODO VIGEntEE©” e adota a lógica contrária. “Nós sabemos onde está o mosquito contaminado; então vamos lá e procuramos as possíveis pessoas contaminadas para encaminhamento às unidades de saúde”, diz o médico veterinário do CCZ, André Leandro. A estratégia já surtiu efeito: foi interrompida a transmissão dos vírus em oito áreas de Foz do Iguaçu, como no Jardim Jupira, Morumbi e Três Bandeiras.
 
Nesta semana, profissionais de saúde e de informática do município paraguaio foram capacitados pelo CCZ para aplicação do método. O projeto-piloto recebeu 150 armadilhas. Os equipamentos foram instalados no bairro San Juan. Em Foz, as armadilhas começaram a ser instaladas em 2003, mas foi em janeiro deste ano, com a implantação do Laboratório de Biologia Molecular, que esse trabalho ganhou mais velocidade e precisão. Os mosquitos coletados são enviados para o laboratório e, em aproximadamente duas horas, o diagnóstico sobre o tipo de inseto é feito.
 
Segundo a gestora do GT Itaipu-Saúde, Luciana Sartori, a ideia da criação do laboratório surgiu em uma reunião, a partir da necessidade de armazenar os mosquitos, que eram enviados para análise na Universidade Federal do Paraná (UFPR). O processo costumava ser longo. “A falta de diagnóstico para zika e chikungunya à época foi um dos fatores que contribuíam para a existência de uma epidemia.”
 
Leandro explica que, a partir de então, foi possível saber onde os vírus da dengue, zika e chinkungunya estão circulando, antes que as pessoas adoecessem. “Com isso, conseguimos fazer a interrupção da transmissão do vírus sem que haja epidemia”, afirma.
 
Nas áreas onde foram identificados mosquitos contaminados, as equipes do CCZ organizaram ações para eliminá-los. “Com os resultados do laboratório, nós identificamos as áreas de risco e direcionamos as nossas equipes para poder fazer eliminação de criadouro, mobilização da população e aplicação de inseticida para eliminar o mosquito contaminado.”
 
O Centro também faz uma busca ativa de casos, passando de casa em casa e encaminhando pessoas com sintomas para hospitais ou unidades de saúde. Segundo o médico veterinário do CCZ, até 80% das pessoas contaminadas não possuem sintomas ou não procuram atendimento. Por isso, existem casos subnotificados. “Algumas ações do modelo tradicional acontecem a partir do caso notificado. Só que, quando uma pessoa aparece doente, para cada 100 pode haver até 80 que estão com o vírus, mas não têm sintomas. Então, a doença muitas vezes começa a ser transmitida de forma silenciosa.”
 
Método
 
O método do CCZ deve ganhar um reforço nos próximos meses: está em fase de testes um programa de geoprocessamento, que vai reunir todas as informações coletadas pelas armadilhas espalhadas pela cidade. O software que está sendo desenvolvido é gerenciado pela Superintendência de Informática da Itaipu, a pedido do GT Itaipu-Saúde.
 
GT Itaipu-Saúde
 
Criado pela Itaipu Binacional em 2003, o GT Itaipu-Saúde tem como objetivo principal congregar entidades e profissionais que contribuam para o fortalecimento das políticas públicas de saúde na região da tríplice fronteira, promovendo ações baseadas na integração e na cooperação entre Brasil, Paraguai e Argentina.
 
Ao longo do tempo, tornou-se um dos principais fóruns de debates sobre saúde na região, formulando propostas concretas que proporcionam intercâmbio de conhecimentos e valorização das experiências dos profissionais de saúde e que resultam em melhoria da qualidade de vida da população.
 
Mensalmente, o GT Itaipu-Saúde reúne cerca de 120 profissionais de diversas áreas de atuação, que debatem, propõem e elaboram projetos para a implementação da Itaipu e demais parceiros. As pautas desses encontros se distribuem em nove eixos temáticos: Saúde do Idoso, Saúde do Trabalhador, Saúde Indígena, Saúde Materno-infantil, Saúde do Homem, Saúde Mental, Endemias e Epidemias, Acidentes e Violências, Educação Permanente em Saúde.