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Gazeta do Iguaçu - PR
Unila cumpre concepção proposta há 150 anos
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16/10/2009

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana cumpre o almejado por àqueles que no passado "plantearam a ideia de uma comunidade latino-americana". A avaliação é do historiador e escritor chileno Miguel Rojas Mix, que está em Foz do Iguaçu onde fundou, no início da semana, a Cátedra de Integração e Identidade Latino-Americana do Instituto Mercosul de Estudos Avançados (IMEA). A cátedra fundada por ele integra uma das dez que estão sendo criadas neste semestre para iniciar as pesquisas do IMEA.

 

Batizada de Francisco Bilbao, a Cátedra de Integração e Identidade Latino-Americana leva o nome do escritor e político chileno que, no século XIX, cunhou o termo América Latina e o adjetivo latino-americano. Além dos nomes, Bilbao teve uma concepção americanista, que incluía a criação de um sistema que unisse estes países e até mesmo um Exército comum. "Particularmente, Bilbao falou da necessidade de se criar uma universidade latino-americana para a integração. Cento e cinquenta anos mais tarde, a Unila está cumprindo esta ideia", contextualizou Miguel Rojas.

 
Para ele, além de a universidade cumprir a ideia "de quase todos os integracionistas", tem a vantagem de estar no Brasil, país que, em seu entender, praticamente até os anos 60 não olhava para a América Hispânica, mas sim à Ásia e África. "Nos anos 60, se produzem movimentos culturais que são fortemente integradores da América Latina, como a Teologia   da Libertação e o Cinema Novo, que foi reconhecido como sendo de uma realidade comum.

 

Da mesma maneira, houve um fator integrador cultural, pois nos anos 60 ocorre o boom da literatura latino-americana, que se incorpora em um grande pacote escritores peruanos, argentinos, chilenos, uruguaios e brasileiros. Estes são fortemente criadores de identidade comum", contextualizou.
  
Hegemonia O afastamento ao qual Rojas se refere, se deve, dentre outros fatores, à particularidade do processo emancipatório brasileiro, que se manteve império até o fim do século XIX, mesmo depois de independente. Se deve ainda ao projeto colonial português, distinto do espanhol por não ingressar no interior do território, mantendo-se à exploração costeira. "O (processo) espanhol foi muito forte de colonização interna. Eles avançavam fundando cidades e nisso tinham uma grande preocupação em integrar culturalmente a população. Com isso tiveram políticas educativas desde muito cedo e criaram universidades. A primeira no século XVI, quando no Brasil a primeira foi criada no século XX".

 

"Na América Hispânica, houve uma consciência mais forte de independência e de modernidade, anterior ao Brasil. Para mim, um observador externo, a consciência de modernidade do Brasil nasce com a Semana de Arte Moderna (1922). E esta consciência se expressa de maneira muito forte na criação de Brasília, uma cidade não só para o Brasil, mas para ser o centro de um processo integrador de toda a América Latina".

 

Atualmente, na visão do historiador — catedrático da Universidad de Chile, onde é diretor do Instituto de Arte Latinoamericano —, o Brasil possui posição diferente, se colocando como líder regional. Neste sentido, Rojas lembra que "todos os latinos americanos" reconhecem que o Brasil tem de assumir a hegemonia no continente, por seu potencial, algo que a política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixa muito clara. Tal função hegemônica coincide com um crescimento como se pode constatar por meio das BRICS — sigla para Brasil, Rússia, Índia e China — "quatro grandes potências que aparecem como um bloco de países emergentes e que começam a pesar muito na política internacional". "E neste caso, o Brasil vai representar pelo menos a América do Sul, pois a relação com o México não está clara. O Brasil começa a ser árbitro de muitas questões e neste sentido, está numa espécie de encontro sociopolítico com os EUA".

Foz

Além da relevância para o país, Miguel Rojas destaca ser necessário pensar ainda na "enorme importância" que a Unila terá para Foz do Iguaçu. Em sua análise, ele lembra ser necessário ter consciência de que a criação da universidade fará com que a cidade se converta em uma referência não só pelas Cataratas, ou pela Itaipu Binacional, mas sim pela cultura. "E neste sentido, a Unila cumpre uma função fundamental", encerrou.