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Época Negócios
Um carro elétrico brasileiro? Sim, na Itaipu
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12/08/2009

Em parceria com geradoras de energia elétrica, a Fiat fabrica em Foz do Iguaçu uma perua Palio Weekend movida a bateria. A meta do consórcio é produzir 50 unidades até 2010, mas o preço do carro, estimado em R$ 145 mil, ainda é proibitivo para os motoristas comuns.

O Brasil foi pioneiro no carro verde, movido a combustível vegetal, com motor flex. Agora, o foco das pesquisas se volta para o carro elétrico que, além de ser ecologicamente correto, tem baixo consumo de energia e emissão zero de poluentes. A Itaipu Binacional, em parceria com o Centro de Pesquisas da Fiat, a suíça KWO e empresas geradoras e fornecedoras de energia, como Ampla, CPFL, Copel, Eletrobrás e Cemig, deram, no ano passado, o pontapé inicial com a primeira linha de montagem exclusiva desses modelos no país. O primeiro protótipo, um Palio hatch, foi apresentado pela Fiat em 2006. Instalada na área da usina, em Foz de Iguaçu (PR), a “fábrica” entregou 21 veículos, sendo 15 deles em 2008, que foram incorporados às frotas dessas empresas. A meta é produzir 50 unidades até julho de 2010, quando se completa a primeira fase do projeto.
   

O modelo atualmente em linha é a perua Fiat Palio Weekend. Ela é enviada da fábrica da Fiat em Betim (MG) já devidamente preparada para a adaptação à eletricidade. Freios, amortecedores e molas são recalibrados e a carroceria ganha reforços e furação especial para receber as baterias. O carro chega a Itaipu sem motor, câmbio, tanque de combustível e sistema de escapamento. Lá, são instalados os componentes eletroeletrônicos.
  

O kit de motor elétrico, transmissão e bateria vem da empresa suíça MES-DEA, a única no mundo a fazer esse tipo de componente. Diferentemente da bateria de íon-lítio, que é distribuída em células individuais, essa é composta por uma enorme caixa metálica, blindada. Dentro, há uma solução química líquida de sódio, cloro e níquel, um material barato e acessível na natureza.
  

A maior limitação para o desenvolvimento do veículo está nas dimensões e no custo da bateria. Com quase 150 litros, ela ocupa cerca de um quarto do porta-malas. Seu peso também é considerável: 160 quilos. Mas traz a vantagem de ser totalmente reciclável. A “conversão” da perua flex (que tem originalmente 1.130 quilos) para a versão elétrica dá um ganho extra de apenas 50 quilos. O kit completo sai por 25 mil euros (o equivalente a R$ 68.500), sendo que metade disso se refere ao valor da bateria.
  

Segundo Carlo Rebuschini, coordenador de montagem e desenvolvimento do projeto da Fiat, o motor elétrico gera 20 cv de potência (15 Kw) e tem torque máximo (força) de 5,1 kgfm. Parece pouco, mas é a medida certa para levar o veículo até 100 km/h com baixo consumo de energia. A autonomia máxima, de 120 quilômetros, é suficiente para um motorista de táxi, por exemplo, rodar no dia a dia.
  
    Outra vantagem do motor é que a recarga pode ser feita em qualquer tomada de parede de 110V/220V (com plugue de três pinos) em 8 horas. Ela não tem o conhecido efeito memória, que reduz a capacidade com o tempo, e sua vida útil é estimada em 120 mil quilômetros (ou 1.000 ciclos de carga).
  

Cada veículo custa R$ 145 mil (R$ 86 mil é o custo para Itaipu, sem os impostos). “Ainda é muito caro para o Brasil, mas o seu preço deve cair com o tempo. Ele paga IPVA de carro flex e pode ser licenciado normalmente”, afirma Rebuschini. O preço elevado do veículo é compensado pelo baixo custo do quilômetro rodado. Com o uso da energia, ele fica em R$ 0,02 por quilômetro, contra R$ 0,18 do álcool e R$ 0,25 a gasolina. Comparando a um motor movido a combustível convencional é como se o Palio Weekend Elétrico fizesse cerca de 60 quilômetros por litro de gasolina. O próximo passo, segundo Rebuschini, será a nacionalização do motor pela empresa brasileira Weg, o que deverá baratear o componente.
  

Olhando por fora, não há diferença entre o modelo elétrico e a Palio Weekend Flex. Dirigir, então, é até mais fácil. Basta ligar a chave, colocar a alavanca de mudanças, com comandos inspirados em joystick, na posição Drive e acelerar. O carro praticamente não emite ruídos, apenas um leve zumbido, e deslancha rápido como se fosse automóvel com câmbio automático. Não há marchas para trocar nem pedal de embreagem. Depois de estacionar, é só dar um toque na alavanca para o lado e passar para a posição Neutro (ponto-morto). A marcha ré é feita puxando-a para trás. Para facilitar a vida do motorista, essas informações são exibidas em uma tela digital no centro do painel, junto com os dados sobre carga, tensão, temperatura e corrente.
  

Como o carro não tem marchas, quando é preciso reduzir a velocidade, basta apertar um botão no centro do painel. Ao tirar o pé do acelerador, ele aciona um sistema regenerativo, que aproveita o movimento do motor para recuperar a energia gasta e faz o papel de freio-motor. Enquanto o veículo desacelera, ele carrega e aumenta a autonomia da bateria. Por enquanto, o carro elétrico nacional só está disponível para as grandes empresas de energia. Seu preço ainda é proibitivo para um motorista comum.