A maior geradora de energia limpa e renovável do planeta

Gazeta do Iguaçu - PR
Observatório de Energias Renováveis tem base em Foz
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26/10/2009

Transformar dejetos animais em energia. Esse é apenas um dos desafios propostos pelo Observatório de Energias renováveis para a América Latina e Caribe, com sede em Foz do Iguaçu, que já fomenta dez projetos que devem atingir toda a região.
O intuito de promover a divulgação das chamadas Energias renováveis veio com a realização do Fórum Global de Energias, realizado há três anos na cidade pela Itaipu Binacional.

 

"Quando surgiu a proposta, logo montamos uma parceria com a ONU e outros, justamente para realizarmos aqui algo já em andamento em outros países, como a utilização da biomassa ou da energia solar como fonte de energia", disse o gerente do observatório, Marcelo Alves de Souza.

 A partir do encontro, os parceiros interessados deram principal atenção a três projetos que devem estar em plena operação a partir de 2010. Os primeiros trabalhos com oficinas de orientação às comunidades atingidas já iniciaram.

O carro-chefe do projeto é o de sustentabilidade da Vila C. A assinatura para o início dos trabalhos acontece em novembro e visa ao começo das atividades o quanto antes. A ideia, segundo Alves, é transformar o bairro num exemplo a ser seguido quando o assunto for energia renovável. Para tanto, o observatório conta com apoio da Unila e parceiros.

 

"Prevemos que com a chegada da Unila aquela região também receberá uma população muito maior e queremos desde já trabalhar com essa sustentabilidade."
Hoje, a Vila C tem 20 mil habitantes, e o sistema de esgoto não atende proporcionalmente a esta comunidade. "Com a universidade prevemos que a população aumente, e esse sistema antigo de esgoto não deverá suportar", comentou. A ideia defendida pelo observatório é canalizar o esgoto para uma central pedagógica, na qual haverá geração de energia. "Dessa forma vamos preparar a Vila C para receber grande parte dos alunos que vão morar ali."
O termo de cooperação para o início dos trabalhos deve ser assinado este ano por Itaipu, Unila, PTI, prefeitura, Copel, Sanepar e Caixa Econômica.
  
Ecovila

 

O segundo projeto prevê a transformação de Entre Rios do Oeste num município 100% ecológico. "Essa será a primeira cidade do Brasil a fechar o ciclo de energia, ou seja, não terá que comprar energia, pois terá sua própria fonte", explicou. Alves comenta que a cidade, apesar de ter somente cinco mil habitantes, conta com uma grande população/criação de bois (10 mil), porcos (60 mil) e aves (360 mil). "O que nos leva a crer que a produção de dejetos é muito grande." Com isso, a produção da energia seria criada a partir dessa massa.

 

"Queremos que a cidade gere sua própria energia com o aproveitamento e transformação dos dejetos em energia, promovendo a substituição dos chuveiros elétricos por sistemas de aquecimento solar, trabalhando a eficiência energética."
A iluminação pública também seria substituída pela chamada iluminação inteligente dos leds. Além disso, um trabalho de educação ambiental deve auxiliar na transformação da cidade em uma ecovila, ou mesmo numa cidade eficiente. "Toda a parte burocrática já está completa; a parte física iniciaremos em fevereiro de 2010."

 

Gasoduto

 

O terceiro projeto de grande atenção é o condomínio de agroenergia para a agricultura familiar, que deve envolver 41 famílias instaladas em propriedades rurais na região de Marechal Cândido Rondon. A escolha da região teve influência direta da geografia do local. "Escolhemos as propriedades que estão em forma de microbacia do Ajuricaba."

Como todas têm criação de algum tipo de animal, um biodigestor seria instalado em cada propriedade, e um gasoduto de 22 quilômetros interligaria cada ponto, enviando metano para uma central em que aconteceria a transformação em energia elétrica. "Esses produtores não só produziriam energia como também a consumiriam."

O trabalho do observatório vai além dos projetos e visa a conhecer e a apoiar iniciativas que tenham como meta a economia dos recursos de energia. "A energia renovável é o futuro e já está bastante presente em outros países, por isso estamos apostando na rede de sistema integrado para a troca de informações."

Além da lição sobre a preservação do meio, o observatório também pretende conhecer mais sobre iniciativas de sucesso que buscaram energia sem desgaste da natureza. No site www.observatoriobrasil.org é possível conhecer mais ações voltadas à descoberta de energias renováveis.