A maior geradora de energia limpa e renovável do planeta

Gazeta Mercantil
O veículo elétrico pede passagem
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27/11/2007

Ele é discutido detidamente apenas uma vez por ano desde 2003 e com repercussão parcimoniosa na imprensa. Trata-se do veículo elétrico a bateria, híbrido e de célula a combustível.

 

A discussão é no Seminário e Exposição de Veículos Elétricos, que neste ano ocorreu nos dias 25 e 26 de outubro no Centro Cultural da Light, no Rio de Janeiro, patrocinado pela empresa de eletricidade fluminense de capital nacional. Empresas do setor automobilístico, as de transporte de passageiros e as ligadas a questões ambientais participaram do evento, além da indústria de componentes e equipamentos elétricos, centros de pesquisa, universidades e organismos de financiamento.

 

Embora incipiente no País em razão sobretudo do seu ainda elevado custo tecnológico, o veículo elétrico por certo veio para ficar. A salutar conspiração para que efetivamente se emancipe no mais curto espaço de tempo parece indicar isso, haja vista os frutos obtidos desde o início oficial das discussões a respeito do assunto, sob os auspícios do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE) e da novel Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

 

Determinação por parte dos organizadores e patrocinadores do seminário, até agora, foi o que não faltou. A questão é saber como o tema se desenrolará, na prática, daqui para frente. Uma boa notícia foi a assinatura, no final de maio, de termo de compromisso da Cemig, filiada à ABVE, com a Itaipu Binacional para participar de projeto de desenvolvimento e implantação de veículo elétrico nas concessionárias de energia, o qual está sendo implantado desde 2006, quando foi firmada parceria entre a Itaipu e a KWO, empresa de energia elétrica suíça. Outras boas notícias nesse sentido por certo virão. Só se espera que em relativamente curto espaço de tempo o processo deslanche sem que haja caminho de volta.

 

É cioso falar do que a eletricidade como combustível veicular representará para o País em termos de ganhos econômicos, ambientais e na área da saúde pública. Depender cada vez menos de gasolina e de óleo diesel para pôr em movimento nossos veículos leves e pesados, acima de tudo nos grandes centros urbanos, é literalmente questão de sobrevivência. O petróleo, por ser um recurso natural não-renovável, está fadado a escassez crescente.

 

O meio ambiente e a saúde pública se beneficiarão diretamente da eletricidade como combustível na medida em que bem menos gases de efeito estufa, monóxido de carbono, óxido de enxofre e material particulado serão lançados na atmosfera - o prejuízo à saúde, sobretudo de crianças e idosos, é mais dramaticamente perceptível no inverno, quando a dispersão dos gases poluentes se torna mais difícil.

 

A importância do assunto é tão grande que o último relatório mundial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado em três partes durante o primeiro semestre deste ano, faz referência direta ao uso de veículos elétricos híbridos e à bateria como uma das formas mais eficientes de minimizar os efeitos das mudanças climáticas.

 

Não é demais pedir que o governo dê maior respaldo ao setor da inovação tecnológica direcionado à eficiência energética, acima de tudo num setor ainda ambientalmente precário como o automotivo. E das montadoras não custa esperar mais empenho quanto à produção em escala de veículos elétricos simples, uma contrapartida inteligente, por exemplo, aos famigerados veículos 4 x 4, que, utilizados mais nos grandes centros urbanos do que em viagens para locais de difícil acesso, dão uma 'contribuição' expressiva ao envenenamento do ar que respiramos e ao aquecimento global. O veículo elétrico tem tudo para ser uma opção viável num futuro não tão distante.