A maior geradora de energia limpa e renovável do planeta

Jornal do Estado - PR
O bom exemplo vem de Itaipu
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17/06/2009

Programa Cultivando Água Boa envolve desde os governos até a comunidade do entorno do lago

A gente aprende na escola que a vida na Terra depende da água para existir. No entanto, essa lição parece ter sido esquecida por longos anos. Só nas últimas décadas os países se deram conta que esse recurso é finito, quando o fantasma da escassez começou a assombrar. E para tentar recuperar a tarefa que deixou de ser feita pela humanidade, setores públicos e privados passaram a encarar esse fantasma e procurar soluções para evitar o aumento da degradação ambiental e social que simplesmente jogava no ralo o bem tão precioso. Entre os diversos programas voltados à salvação da água, um entre os de maior destaque no País está no Paraná. O Cultivando Água Boa, realizado pela Itaipu Binacional, é reconhecido como a iniciativa ambiental mais completa do setor elétrico brasileiro e premiado internacionalmente. Criado em 2003, o programa compreende hoje 21 projetos e 64 ações em desenvolvimento na região de influência da usina de Itaipu — a Bacia Hidrográfica do Rio Paraná 3, com área de aproximadamente 8.000 km2 e mais de 1 milhão de habitantes distribuídos em 28 municípios do Oeste do Paraná, mais Mundo Novo, no Mato Grosso do Sul. O projeto se responsabiliza pela proteção das matas e da biodiversidade, e pela promoção da educação ambiental nas comunidades do entorno.O projeto é definido pela equipe da Itaipu como um libelo de esperança para uma sociedade que vê os resultados do seu comportamento ameaçar a própria sobrevivência, que se vê diante de seus próprios limites e vulnerabilidades, e começa a reconhecer o quanto é interdependente. É uma resposta local à problemática global da mudança climática, do esgotamento de recursos naturais, deterioração e escassez de água e alimentos, fome, pobreza, exclusão social, poluição ambiental e desmatamento.Para o diretor de Meio Ambiente da Itaipu Binacional, Nelton Miguel Friedrich, o Cultivando Água Boa é um projeto de sucesso porque “não trabalha apenas os aspectos ambientais, mas também atitudes e comportamentos, que por sua vez resultam em novas relações do homem com o seu meio, com suas formas de produzir e consumir. Nesse sentido, essa visão sistêmica fica expressa desde a adequação quanto à atuação por bacia hidrográfica quanto ao amplo processo do porquê das ações ambientais e, a partir daí, efetivamente executá-las”, explica. Outra característica forte do Cultivando Água Boa é a conquista do envolvimento da sociedade do entorno da Itaipu. “O envolvimento da população é fundamental, porque não se transforma uma realidade ou um território sem agir com os atores que vivem e convivem nele”, analisa Friedrich. Ele explica que o projeto conseguiu reunir atores sociais da Bacia Hidrográfica do Paraná 3, públicos, privados, a sociedade civil organizada, os empresários, as representações civis das mais diversas classes sociais e categorias profissionais, e também o meio acadêmico. “Por isso se tornam legítimos e conseguem construir a sustentabilidade”, explica. O Cultivando Água Boa ganha destaque na questão do investimento em educação e sensibilização da população para as questões ambientais. “Na verdade, no Cultivando Água Boa o processo se concentra principalmente na compreensão do porquê mudar, do porquê agir. Por exemplo, não se trata simplesmente de plantar uma árvore, mas compreender porque se deve plantar uma árvore. Então a sociedade, hoje, consegue interpretar a problemática global, como o aquecimento global e suas consequencias, a problemática do próprio ser humano, a biodiversidade, a produtividade, as mudanças climáticas, e consegue conectar isso com os passivos ambientais e os modos de ser e produzir, enfim, a relação que a sociedade tem com o seu meio”, avalia o diretor de meio-ambiente. Nesse sentido, a educação que se faz tanto nas escolas como na microbacia junto à comunidade se dá em todos os processos, seja na exposição de uma palestra, seja na própria ação. Por isso é um processo de educação que, dentro do Cultivando Água Boa, já formou mais de 255 educadores ambientais — agentes que, por meio de um processo circular e de mandala, hoje já envolve perto de 3 mil pessoas na Bacia do Paraná 3, sem citar outros processos educativos do programa e apoios a projetos educacionais específicos nos mais diversos níveis, formais ou informais, lembra Friedrich.

PR tem Ipaguas

 

Já está aprovada na Assembleia Legislativa do Paraná a proposta do governo, por meio da Sanepar para mudar a Lei de Recursos Hídricos do Estado. O principal objetivo é criar o Instituto Paranaense das Águas (Ipaguas), cujas funções é atuar como órgão regulador e fiscalizador do Setor de Saneamento.