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Gazeta Mercantil - SP
Itaipu vai iniciar produção experimental de hidrogênio
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18/08/2008

Num projeto em que será aproveitada parte da energia vertida turbinável, ou seja, o excedente de água que não pode ser armazenado no reservatório por ele estar em sua capacidade máxima, a Itaipu Binacional entregou, na sexta-feira, oficialmente aos diretores do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp, em Campinas (SP), o seu projeto executivo para a construção da Unidade Experimental de Produção de Hidrogênio. A previsão é de que a unidade esteja em operação em Foz do Iguaçu ainda em 2009, segundo o presidente da Itaipu Binacional, Jorge Miguel Samek.

 

A construção desse laboratório é parte integrante do projeto de parceria entre a Unicamp e a usina denominada "Assessoria Técnica e Científica para a Implementação do Programa de Hidrogênio em Itaipu", desenvolvida pelo Laboratório de Hidrogênio do Instituto de Física da universidade de Campinas, e que tem como objetivo inserir Itaipu no contexto da economia do hidrogênio, possibilitando que a empresa possa realizar novos projetos na área, incluindo a demonstração de veículos elétricos híbridos com células a combustível.

 

O laboratório terá quase 600 metros quadrados e será equipado de forma a produzir hidrogênio pelo processo de eletrólise da água (dissociação da água através de energia elétrica) para as atividades futuras, que vão do treinamento de pessoal que trabalhará na área até a análise do gás produzido e destinado ao posto de abastecimento para o futuro microônibus a hidrogênio e células a combustível.

 

De acordo com o presidente da Itaipu, "há muitos períodos do ano em que a usina tem de abrir as comportas do seu vertedouro para liberar o excesso de água e, com a produção de hidrogênio, essa água poderá ser aproveitada, principalmente no período noturno, quando o consumo de energia elétrica do País cai drasticamente, já que todo o hidrogênio produzido poderá ser armazenado".

 

A nova opção deverá abrir também uma série de novos negócios para a empresa e trazer um melhor aproveitamento de todo o seu potencial energético. Além disso, o projeto em andamento tem uma importante componente de formação de pessoal qualificado na área, já tendo contemplado dois alunos de mestrado do Paraguai, e outros dois técnicos brasileiros que iniciaram suas atividades na Itaipu em 2008.

 

O coordenador pela Unicamp, professor e físico Ennio Peres da Silva, entregou a planta para construção da Usina Experimental de Produção de Hidrogênio ao gerente do Departamento de Obras e Manutenção, Andreas Arion, e ao engenheiro eletricista Marcelo Miguel, ambos da Itaipu Binacional, segundo texto da "Agência Brasil". Miguel disse que ainda falta definir como serão as parcerias com as montadoras instaladas no Brasil para fabricação dos modelos de veículos movidos a hidrogênio que servirão para os ensaios tecnológicos.

 

"Esse é o combustível do futuro", disse Miguel. Por não ser poluente, observou, o hidrogênio poderá ajudar a preservar a natureza e, mesmo que não venha a substituir plenamente as de mais opções de combustível, poderá em boa parte ser adotado no mercado de veículos flex.