A maior geradora de energia limpa e renovável do planeta

Correio Braziliense -DF
Itaipu, um passeio radical
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18/12/2008

Em tempos de férias, com muitas alternativas à disposição, conhecer a Usina de Itaipu é um programa diferente. O local impressiona pelo gigantismo. Tantas são as pessoas de todo o mundo interessadas em ir até lá que ela criou o Complexo Turístico Itaipu, incorporado ao rol de atrações de Foz do Iguaçu.

  

Maior usina hidrelétrica do mundo em geração de energia, com 20 unidades geradoras e 14 mil megawatts (MW) de potência instalada, fornece 20% da energia consumida no Brasil e abastece 94% do consumo paraguaio. Em 2000, atingiu a produção histórica de 93.428 gigawatts, recorde mundial de geração de energia hidrelétrica.

   

A usina pertence ao Brasil e ao Paraguai, e ali tudo é dividido entre os dois países. O território por lá é até meio neutro. Não pertence ao Brasil e ao Paraguai. Pertence à Itaipu. Tem 3 mil funcionários, metade para cada país e há, ao que parece, harmonia na administração de Itaipu, que está sempre cheia de visitantes.
   

Itaipu, que significa em guarani a pedra que canta, recebeu 800 mil turistas no ano passado e 14 milhões desde 1977, quando o comando Binacional permitiu o acesso de pessoas ao local. Pelas estatísticas, os visitantes até hoje são de 170 países. Há atrações em Itaipu de tirar o fôlego, mas o que mais causa emoção é a barragem, uma estrutura de concreto para reter o curso do Rio Paraná e formar o reservatório da usina. É o ponto onde estão instaladas as unidades geradoras de energia elétrica.
   

Conhecer o interior da usina do mirante central é fascinante, mas perceber o gigantismo da usina de Itaipu é mais perceptível quando se percorre a barragem. Caminhar pelo alto do paredão de concreto rende uma vista privilegiada do reservatório. Dentro dele, as atrações são a arquitetura, que lembra a de uma catedral por causa do formato côncavo, e o antigo leito do Rio Paraná.
  

No edifício de produção, o visitante tem a oportunidade de conhecer a sala de comando central, que controla a operação de turbinas e geradores, e a enorme galeria de onde se pode observar a tampa das unidades geradoras. O giro pela barragem ainda permite a observação do canal de fuga, por onde a água que movimentou as turbinas retorna ao Rio Paraná, seguindo seu curso natural.
   

A visão, a partir do mirante central, é possível realizando o percurso Visita Panorâmica. Para conhecer o interior da usina, é necessário percorrer o Circuito Especial, que inclui também uma passagem pelo mirante central. Dentro da barragem não é permitido durante a visita o uso de chinelos, sandálias e shorts. Para ter acesso às instalações internas de Itaipu, a idade mínima é de 14 anos. Os turistas pagam ingressos. Afinal, a estrutura turística – com pessoal terceirizado – é mantida graças aos recursos obtidos na venda de ingressos e suvenires.
   

As atrações de Itaipu são tantas, mas sempre impressionantes. Como o vertedouro, que serve para escoar a água em excesso que chega ao reservatório durante o período de chuvas. Observá-lo em atividade, entre os meses de dezembro e fevereiro, quando as comportas de aço são abertas, é um belo programa. A abertura do vertedouro não atende um cronograma predeterminado. Está diretamente ligada ao nível do lago.
   

Quem tem a sorte de acompanhar o escoamento da água pelas três calhas assiste a um espetáculo inesquecível. A vazão do vertedouro de Itaipu é equivalente a 40 Cataratas do Iguaçu. Esse dilúvio despenca de um tobogã de 30 metros para formar um regurgito de 10 metros e, finalmente, voltar ao leito rochoso do Rio Paraná, a 40 metros de profundidade.
   

Outra atração imperdível é o Ecomuseu, que conserva a história de Itaipu, que chegou a empregar 40 mil pessoas no auge da sua construção nos anos 70 do século passado. Ali, o visitante percorre um circuito dividido em módulos que apresentam desde a ocupação da região da usina na margem brasileira até os projetos de conservação ambiental da Itaipu. Dentro desse roteiro estão atrações como os espaços temáticos de água e energia, onde as crianças e adultos participam de oficinas. Há também uma réplica do eixo de uma turbina em atividade, com direito aos ruídos característicos do coração da usina. Um painel de fotos 3x4 homenageia as milhares de pessoas que trabalharam na construção da hidrelétrica. O Ecomuseu atingiu no domingo, 27 de janeiro deste ano, 1 milhão de visitantes.
   

SERVIÇO
Nome: Itaipu
Capacidade: 14 mil MW
Barragem: altura de 196m
Extensão: 7 .700m
Área Alagada: 1.350 km2
Localização: Brasil – Foz do Iguaçu / Paraguai – Ciudad del Este
Rio: Paraná
Período de Construção: 1971-1982
Proprietário: Itaipu Binacional
Internet:
www.itaipu.gov.br
Fone: 0800 645-4645 / fax (45) 3520-6668
Passeios:
reservas@complexoitaipu.tur.br

        

Museu no Paraguai
Há outro museu na área de Itaipu. O Museu da Terra Guarani resgata os 10 mil anos de ocupação e cultura guarani na margem paraguaia da hidrelétrica. Conhecer a fundo a milenar cultura guarani, rica em diversidade e ainda viva na margem paraguaia da Itaipu, ilustra os 10 mil anos de história dos povos indígenas da região. Ao longo dos séculos, essas populações mantiveram suas raízes, inclusive o idioma, o guarani, língua oficial do Paraguai. O acervo inclui um arquivo audiovisual em que os indígenas falam de sua visão de mundo. O Museu da Terra Guarani é uma viagem também pela memória do Rio Paraná.
   

Outra atração legal são três caudalosas quedas d’água, com 40 metros de altura, que se precipitam próximo à foz do Rio Monday. Os saltos estão próximas à fronteira com o Brasil e Argentina, a 10km de Ciudad del Este. Trilhas em meio à vegetação levam os visitantes até mirantes e passarelas de onde é possível contemplar a depressão de 40 metros do rio. Para quem gosta de aventura, paredões rochosos favorecem a prática de rapel, trekking e alpinismo ao lado do turbilhão de águas. A atração está dentro do Parque Municipal Saltos del Rio Monday.
    

O Canal da Piracema, com 10km de extensão, ligando o Rio Paraná, no trecho adiante da usina, ao reservatório para permitir a migração dos peixes rio acima, é outro espetáculo da usina Binacional. No período da piracema, a migração reprodutiva, que vai de novembro a março, o fluxo é mais intenso. No restante do ano, os peixes migram em busca de alimentos. Eles têm de vencer um desnível de 120m com o auxílio de corredeiras e lagoas. O Canal da Piracema também dispõe de uma raia de águas bravas para a prática de esportes náuticos como rafting e canoagem slalon.
  

Para completar o passeio, não deixe de assistir à iluminação noturna de Itaipu. Um complexo de refletores e luminárias faz a iluminação noturna da barragem, sincronizada com uma trilha sonora criada especialmente para o espetáculo. Difícil imaginar, mas a usina iluminada parece ainda maior com tantas luzes. E também o Monumento Bertoni, localizado na mata que resgata a história do cientista e escritor suíço Moisés Santiago Bertoni. Ele foi o maior cientista e pesquisador da história do Paraguai.
   

Hoje transformado em museu e aberto à visitação turística, o local abriga 10 salas em que o visitante encontra objetos pessoais, manuscritos de livros, cartas e parte da biblioteca de 7 mil livros, jornais, revistas e mapas raros dos séculos 19 e 20, além de uma reconstituição do laboratório e da gráfica usada por Bertoni para imprimir suas publicações.