A maior geradora de energia limpa e renovável do planeta

A Voz do Paraná
Itaipu transformará poluição em renda
Tamanho da letra
09/09/2009

A Itaipu Binacional e o governo do Paraná acabam de lançar um projeto inédito no País que permitirá a pequenos agricultores, de caráter familiar, tornarem-se produtores de energia. É o Condomínio de Agroenergia da Agricultura Familiar, que será instalado na bacia do rio Ajuricaba, no município de Marechal Cândido Rondon.
   
O projeto integra 41 propriedades, na maioria dedicadas à criação de suínos e de bovinos de leite, que farão o tratamento dos dejetos desses animais gerando biogás, que por sua vez funciona como combustível para motogeradores, produzindo energia elétrica. O biogás será transportado através de um gasoduto que interligará biodigestores instalados nas propriedades a uma microcentral termelétrica, a ser operada pelos produtores em regime de condomínio. Além de evitar a poluição dos rios e do ar, o processo tem como subproduto o biofertilizante, que será utilizado nas pastagens e lavouras, aumentando a produtividade.
  
A energia elétrica gerada será vendida à Copel, a exemplo de outras instalações na região, como a Granja Colombari, em São Miguel do Iguaçu, a Granja Starmilk, em Vera Cruz do Oeste, a Unidade Produtora de Leitões da Cooperativa Lar, em Itaipulândia, a Estação de Tratamento Ouro Verde, da Sanepar, em Foz do Iguaçu, e o Frigorífico de Aves da Cooperativa Lar, de Matelândia. Todas elas fazem parte da Plataforma Itaipu de Energias Renováveis, iniciativa que visa a promover o aproveitamento de fontes renováveis para geração energética no meio rural, como a biomassa, a eólica, a solar e a hidrelétrica de pequeno porte.
  
Aos ganhos que os agricultores terão com a venda de eletricidade, será somada a receita com o comércio de créditos de carbono, pelo chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previsto no Protocolo de Kioto. Isso porque o tratamento ambiental dos resíduos e dejetos evita emissões de gás metano, que é 21 vezes mais poluente que o gás carbônico.
  
O projeto do condomínio nasceu de uma proposta do secretário da Agricultura do Paraná, Valter Bianchini, e do diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek, de atender à agropecuária de caráter familiar, que representam mais de 70% das propriedades do Oeste do Paraná. Entre as unidades que já integram a Plataforma Itaipu de Energias Renováveis, a menor é a Granja Colombari, com 3 mil suínos, o que representa um porte industrial médio.
Portanto, o projeto do Ajuricaba inaugura uma nova fase, voltado a pequenos produtores.
  

“Esse é um aspecto muito importante do projeto, porque ele demonstra que as energias renováveis são viáveis mesmo para as pequenas propriedades. Com isso, o agricultor familiar tem novas perspectivas de renda, produzindo segundo critérios ambientalmente corretos. É uma experiência pioneira que acreditamos que pode ser levada para várias outras localidades do país”, afirma Samek.
  
Além da Secretaria de Agricultura e da Itaipu, o projeto também conta com as parcerias da prefeitura de Rondon, da Copel, da Embrapa - Centro Nacional de Pesquisa em Suínos e Aves, o Iapar, a Emater/PR, a Fundação Parque Tecnológico Itaipu e o Instituto de Tecnologia Aplicada e Inovação (Itai).
  
As obras que serão realizadas incluem instalações para a geração de energia (dutos para canalização de dejetos e do biogás e construção de biodigestores) e uma série de melhorias para atender a critérios de produção sustentável como, por exemplo, a readequação de estábulos e de outras instalações que eventualmente se encontrarem dentro da área prevista para a reserva legal (junto à margem dos rios).
  
Antes de elaborar o projeto, a Itaipu e demais parceiros foram buscar referências na Áustria, país onde esse tipo de energia está mais desenvolvido. Lá, os proprietários rurais estão aplicando a energia da biomassa residual das atividades agropecuárias no transporte. A partir de um kit de purificação do gás, é possível obter um combustível que pode ser utilizado em qualquer veículo adaptado ao gás natural veicular (GNV). “É possível que, futuramente, os agricultores do Ajuricaba poderão também utilizar o biogás que produzem para a movimentação de safra e no maquinário agrícola”, prevê o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu, Cícero Bley.
 
O projeto tem como princípio estimular o aproveitamento de tecnologias desenvolvidas na região. Por isso, serão utilizadas as soluções criadas e aprimoradas pelo agricultor Pedro Köhler, que adaptou caixas d’água de fibra para serem utilizadas como biodigestores. A partir de várias experiências, Köhler chegou a um modelo de biodigestor vertical que é praticamente autolimpante. Logo ao chegar à propriedade dele, localizada próxima de Toledo, já é possível perceber duas importantes vantagens do tratamento dos dejetos: a ausência de moscas e de mau cheiro.
  
Como se trata de uma iniciativa inédita no país, a Itaipu pretende fazer do condomínio uma estrutura para servir de referência, com infraestrutura para receber visitas técnicas, de instituições de ensino e pesquisa, e órgãos de governo interessados em promover o aproveitamento de fontes renováveis de energia. A perspectiva é concluir as obras e iniciar a geração de energia até janeiro de 2010