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Gazeta Mercantil
Itaipu negocia transferência de tecnologia p/ usina chinesa
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28/04/2008

Curitiba, 28 de Abril de 2008 - Enquanto os novos governantes paraguaios e o governo brasileiro discutem a possibilidade de criação de um novo patamar de relacionamento na distribuição de recursos gerados pela usina hidrelétrica de Itaipu, técnicos da binacional estavam em Londres na semana passada negociando com chineses os preços de transferência da tecnologia brasileira para os operadores da usina de Três Gargantas - um megaprojeto em construção desde 1993 sobre o rio Yang-Tse e que deve ser concluído em 2009.

 

"Nós estabelecemos um preço de US$ 16 milhões para o nosso know-how na área de manutenção de turbinas e os chineses acharam muito caro. Agora estamos rediscutindo o fornecimento dessa tecnologia, mas não iremos abrir mão desse preço" , diz à Gazeta Mercantil Jorge Miguel Samek, diretor geral brasileiro da Itaipu Binacional.

Em junho do ano passado, uma equipe de nove técnicos da binacional esteve na China para conhecer e ver as dificuldades encontradas nas áreas de operação e manutenção da hidrelétrica de Três Gargantas. A megausina tirou de Itaipu o título de maior do mundo com suas 32 turbinas de 799 megawatts (MW) e geração de 22,4 mil MW, ante 20 turbinas da binacional, que geram 14 mil MW. O que mais interessou aos chineses, num primeiro momento, foi o aprendizado de 23 anos de funcionamento das turbinas de Itaipu, muito semelhantes às chinesas e produzidas pelos mesmos fabricantes.

Segundo Samek, Itaipu adquiriu um know-how em operação e manutenção não existente no mundo. Quando a primeira unidade da usina parou para manutenção pela primeira vez, exigiu-se um prazo de mais de três meses para colocar a máquina novamente em operação. Hoje isso é feito em 11 dias, num dos maiores níveis de eficiência e de disponibilidade de máquinas em operação no planeta.

Além do aprendizado com a operação propriamente dita, a Itaipu Binacional procedeu nada menos que 167 alterações no projeto das máquinas na medida em que foram sendo observados problemas na sua operação, corrigidos defeitos e adotadas melhorias de desempenho. Muitas dessas mudanças os chineses fazem questão de conhecer e querem pagar por isso, principalmente os ganhos de eficiência na maneira de observar a máquina para saber se ela necessita ou não de manutenção.

"Dentro de pouco tempo os chineses vão ter cerca de 50 turbinas parecidas com as nossas em operação e nós podemos ensinar a eles como tirar o máximo rendimento possível das máquinas. Mas eles querem saber até a quantidade de peças de reposições necessárias no estoque", completa Samek.