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Jornal do Comércio - RS
Itaipu inaugura a primeira fábrica de biometano do país
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08/06/2017
A Itaipu Binacional inaugurou a primeira planta de produção de biometano, gás não poluente, com características similares às do gás natural, resultante da purificação do biogás, obtido a partir de mistura de esgoto, restos orgânicos e poda de grama. Esse processo para obtenção do biogás substitui o processo usado normalmente com dejetos de animais. Essa é a primeira unidade de fabricação de biogás desse tipo no Brasil.
 
A fábrica recebeu investimento de R$ 2,16 milhões e tem capacidade de produção de 4 mil m3 de biometano por mês. Hoje, a produção equivale a um quinto da capacidade da fábrica, informou o superintendente de Energias renováveis de Itaipu, Paulo Afonso Schmidt. A produção de biometano será destinada ao abastecimento de veículos.
 
De acordo com Schmidt, essa produção é suficiente para 80 a 100 veículos que rodem em média 800 quilômetros por mês. Atualmente, 70 veículos da frota de Itaipu são abastecidos com biometano. A produção do biometano vai exigir, mensalmente, 10 toneladas de restos de alimentos e resíduos orgânicos e 30 toneladas de poda de grama.
 
A Itaipu integrou à sua frota o primeiro carro movido a biometano, usado pela Superintendência de Energias renováveis da Usina, no final de 2014. A fábrica foi construída entre 2015 e 2016 e, desde março, funciona em caráter experimental. "Essa é uma Usina de última geração em termos de produção de biogás. Serve para a gente desenvolver o domínio de tecnologias, de sistemas, coisas que nos permitam apoiar outras iniciativas na região", afirmou o superintendente.
 
Schmidt espera desenvolver processos e tecnologias que apoiem o produtor rural na área de produção de carnes, tendo em vista que o volume de dejetos animais, além de causar danos ao meio ambiente, apresenta risco para o reservatório de Itaipu. A transformação de dejetos animais em biometano, além de produzir Energia para consumo próprio, poderia representar renda adicional para os produtores.
 
Além de produzir biometano e biofertilizante, a fábrica reduz os gases de efeito estufa e traz benefícios para o tratamento de resíduos. O custo hoje para os produtores rurais é de R$ 0,09 por quilowatt-hora (km-h), gerando oportunidades de negócios. Para Itaipu, atualmente, o gasto por quilômetro rodado alcança R$ 0,26, contra R$ 0,36 o custo por quilômetro rodado com etanol.
 
O Brasil tem potencial para produzir em torno de 100 milhões de m3 de biometano por dia, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia. "Isso equivale ao que o Brasil importa de diesel e de gasolina", analisou o pesquisador. Ele afirmou que, caso haja fábricas de biometano para uso veicular nos diversos estados do País, "existe biomassa residual suficiente na agricultura, na pecuária confinada, na agroindústria e nos resíduos urbanos líquidos e sólidos para abastecer toda a demanda hoje atendida por importação".