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Gazeta do Iguaçu - PR
Estatuto do Idoso. É hora de aplicá-lo
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24/09/2009

Embora o Estatuto do Idoso tenha sido criado em 2003 — reiterando os direitos das pessoas idosas apresentadas na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e da Lei 8.842 de 1994 —, ele ainda é pouco usado no país. Milhares de pessoas com mais de 60 são tidas pela sociedade com um "peso" até mesmo para a Previdência Social. No Paraguai e na Argentina, a situação não é muito diferente, os idosos são considerados improdutivos.
   

Na tentativa de reverter este quadro, o Grupo de Trabalho Itaipu (GT-Itaipu Saúde) reuniu, ontem, no Sindicato dos Eletricitários de Foz do Iguaçu (SINEFI), cerca de 400 médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e professores de educação física pertencentes aos municípios da 9ª e 20ª Regionais de Saúde, também do Paraguai e da Argentina, para discutir os direitos dos idosos nos três países. E incentivar a prática das ações no dia a dia.
  

De acordo com advogado Joel de Lima, a publicação do Estatuto do Idoso, do ponto de vista legal, é considerado um avanço. Por outro lado, não adianta estar escrito em algum lugar se não é traduzido para a sociedade e os artigos não transformados em políticas públicas. "Olhando pela ótica legal, o Brasil está avançando, mas depois de seis anos, a sociedade ainda não conseguiu assimilar e colocar em prática", disse.
  

Na avaliação do advogado, é preciso mudar a cultura do povo ocidental em relação a esse público. Pois, a população, seja do Brasil, Paraguai, da Argentina ou do Uruguai, não está acostumada a conviver com idosos. Até pouco tempo, representavam uma pequena parcela da população, hoje, com o aumento da expectativa de vida, a presença deste público é crescente e, em contrapartida, as famílias ficaram mais reduzidas devido à inserção da mulher do mercado de trabalho, somada à migração do campo para a cidade. Os casais não têm mais 12 ou 14 filhos, as famílias estão menores. Esta mudança cultural mais os avanços tecnológicos deixaram a população mais velha. "A comunidade está envelhecendo e, por isso, precisamos aprender a conviver com esta nova realidade", frisou.
  

Segundo Joel de Lima, embora no seminário todo o debate tenha sido embasado na saúde, são provocações como esta que propiciarão uma mudança cultural. "A apresentação teve um recorte na saúde, mas todos os artigos do Estatuto precisam ser discutidos, interpretados e aplicados pela população", destacou. Na opinião dele, toda política pública com objetivo de ser eficiente precisa ver o indivíduo integralmente.
  

Integração

 

Na abertura da "Capacitação para Técnicos da Atenção Básica com o Cuidado com a Pessoa Idosa na Tríplice Fronteira", a diretora-financeira da Itaipu Binacional, Margaret Groff, coordenadora do GT-Itaipu Saúde, afirmou que o papel do grupo é integrar os profissionais da fronteira, proporcionando a eles um conhecimento unificado no modo de tratar os cidadãos da região trinacional. Neste sentido, os cursos são considerados o ponto forte. "A Itaipu promove estes treinamentos, entretanto, o sucesso de público e a posterior aplicação dependem dos médicos, enfermeiros e técnicos que atuam nas unidades de saúde", disse. Conforme explicou, a expectativa era reunir cem pessoas, mas o interesse de mais conhecimento quadruplicou o número de participantes. "Esse interesse nos mostra estar no caminho certo. Juntos, em breve, teremos uma saúde de mais qualidade e mais humana na tríplice fronteira", salientou.
  

Curso

 

O curso foi dividido em três módulos., com aulas uma vez por mês. Em outubro, o foco das atividades serão a humanização e o acolhimento da pessoa idosa nos hospitais e unidades básicas de saúde. Em novembro, no último encontro, os profissionais discutirão as fragilidades do envelhecimento: incontinência urinária, quedas, osteoporose, mobilidade, hipertensão e perda da audição. A saúde do cuidador e o atendimento domiciliar são outros temas a ser debatidos na capacitação.