A maior geradora de energia limpa e renovável do planeta

Gazeta do Povo
Energia gerada no campo
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10/06/2009

Foz do Iguaçu - A soma do potencial da agroindústria à capacidade de gerar energia trouxe resultados positivos ao Paraná. Hoje, 524 KW de energia elétrica, o suficiente para abastecer 130 residências de porte médio, está sendo disponibilizada a partir da biodigestão de resíduos orgânicos. A iniciativa é resultado de um projeto inovador que uniu Copel, Itaipu Binacional e produtores.
  

O projeto saiu do papel no início de março com a assinatura dos primeiros seis contratos. A energia é gerada por quatro produtores: estação de tratamento de esgoto Ouro Verde da Sanepar (Foz do Iguaçu); Granja Colombari (criação de suínos em São Miguel do Iguaçu); Star Milk (criação de gado leiteiro na Fazenda Iguaçu, em Céu Azul); Cooperativa Lar (Lar Vegetais de Foz do Iguaçu, Lar Aves de Matelândia, e Lar Suínos de Itaipulândia). A energia é injetada na rede elétrica e os produtores recebem da Copel R$ 139,44 pelo megawatt/hora. Os contratos, assinados entre produtores e Copel, são válidos até 2012.
  

O diretor de engenharia da Copel, Luiz Rossafa, diz que antes do projeto ser colocado em prática foram feitos inúmeros estudos, envolvendo desde a forma de medir a energia gerada ao sistema de pagamento à transmissão. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) permitiu que fossem feitas adaptações para o novo modelo de geração, autorizando inclusive a Copel comprar apenas a energia injetada no sistema e conceder aos produtores desconto na tarifa para o uso do fio e do poste.
  

Ao longo do tempo, novas adaptações serão feitas, mas hoje o resultado já é promissor, não apenas para os produtores, mas também ao meio ambiente. “Estamos deixando de poluir porque fazemos um bom trabalho de recuperação do gás metano, evitando assim a construção de usinas térmicas a óleo diesel, a carvão ou usinas nucleares. A receita é pequena, mas é adicional”, diz.
  

A primeira unidade piloto a entrar em operação, em janeiro de 2008, foi a Granja Colombari. Segundo o proprietário, José Carlos Colombari, após a instalação do biodigestor foi possível melhorar o aproveitamento da produção da propriedade e gerar energia suficiente para comercializar e abastecer a granja. “Antes da instalação do biodigestor, havia déficit de energia na propriedade”, diz.
  

Outro benefício do projeto é o ambiental. Antes da instalação do biodigestor, todo o dejeto de suínos ficava em uma lagoa a céu aberto. Agora, é possível aproveitar a parte líquida da biomassa, que é direcionada a uma lagoa, como biofertilizante para irrigar seis hectares de grama tiffon onde o criador mantém 10 cabeças de gado.
  

Rico em fósforo, o dejeto de suínos é o principal nutriente das algas azuis, um tipo de floração que contamina e deteriora a água. Ao ser colocado em câmaras de biodigestão, o material orgânico se decompõe e produz metano, um gás com alto poder de combustão que tem capacidade para movimentar um gerador de eletricidade. A partir do mecanismo, a propriedade deixou de lançar na atmosfera 360m3 de metano ao dia. Como passou a emitir menos gás na atmosfera, o proprietário ainda é compensado com créditos de carbono.