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O Globo - RJ
As cataratas se modernizam
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22/01/2009

Hipnose é a palavra certa para descrever o efeito provocado pela visão das Cataratas do Iguaçu. Impossível não ficar entorpecido por alguns minutinhos. A cada segundo, cerca de 1,5 milhão de litros jorram de suas mais de 200 quedas. As cataratas são hoje o segundo ponto turístico brasileiro mais visitado, depois do Rio. O espetáculo é ainda mais exuberante nos períodos de cheia, apesar da tonalidade barrenta da água, devido à grande quantidade de lama trazida pela correnteza. 

 

No início de novembro, quando variou entre seis e oito milhões de litros por segundo, quase sete vezes a mais que a média de 1,2 milhão dos últimos anos, dava para ver do avião a nuvem de vapor.

 

Por medida de segurança, nessas condições, o acesso a algumas passarelas chega a ser interditado. Quando o volume de água sobe muito, os turistas são avisados com algumas horas de antecedência, para deixar as passarelas sem risco. A combinação de fortes e rápidas tempestades com sol brilhante enfeita o céu e as águas com belíssimos arco-íris.

 

Em 2008, o Parque Nacional do Iguaçu alcançou o recorde histórico de visitação em seus 70 anos de existência, comemorados no início de janeiro.

 

Ao todo, 1,1 milhão de pessoas passaram pelo lugar, número 9,3% superior ao de 2007. O simpático e falante guia de turismo paraguaio Raul Espínola, que há mais de 30 anos trabalha na região, diz que a alta temporada de visitas é em janeiro e fevereiro.

 

No trajeto de oito quilômetros entre o recém-inaugurado Hotel Bristol Dobly Viale e o parque, Espínola conta que Foz tem aumentado a cada ano seu potencial turístico, principalmente depois que a Hidrelétrica de Itaipu começou a investir em passeios em suas instalações, e a lucrar com isso. Há cerca de dois anos, foi criado o circuito especial, com um tour pelo interior da usina, incluindo o seu vertedouro e a barragem.

 

Neste verão, os turistas poderão contar com a mais nova atração de Foz: o passeio de catamarã pelo Lago de Itaipu, que leva aproximadamente duas horas e meia. O barco de dois andares dispõe de um open bar, cozinha e ar-condicionado na parte inferior, algo fundamental para suportar o calor que faz na cidade.

 

Durante a visita às cataratas, Espínola admite que as boas condições de conservação e limpeza na área de visitação do Parque Nacional do Iguaçu são uma realidade recente, de 2000 para cá, a partir de quando o turismo passou a ser explorado pela iniciativa privada.

 

Limpo, com boa sinalização e cheio de atrações, o parque é impecável. Passar apenas um dia nele é muito pouco.

 

Dependendo da vazão do Rio Iguaçu — que em tupiguarani significa “água grande” — o número de saltos varia de 150 a 300, com alturas de vão de 40 metros a 80 metros.

 

Além de circular pelas passarelas do parque, os mais aventureiros podem optar por rafting, escaladas ou o circuito de arvorismo.

 

Quem prefere uma dose maior de emoção não pode deixar de fazer o passeio do Macuco Safari, que nos leva, num bote, para bem perto das quedas. O barco atravessa uma cortina de água que se forma em frente às cachoeiras, causando um misto de frisson e medo nos passageiros, que temem ser engolidos pelas cataratas.

 

Passado o susto, não resta uma única peça de roupa seca.

 

Por isso, é aconselhável deixar o máximo de pertences no píer. Lá, existem capas de chuva à venda por R$ 5, mas não vale a pena comprar: você sai encharcado do mesmo jeito. Levar uma muda de roupa extra é o ideal.

 

O passeio todo do Macuco Safari dura cerca de duas horas.

 

Antes de entrar no barco, é preciso percorrer três quilômetros mata adentro num trem elétrico, e caminhar mais 600 metros. Não se esqueça, em hipótese alguma, de passar repelente contra insetos.

 

Caso contrário, seu corpo levará as marcas dos borrachudos por alguns dias.

 

Para descansar as pernas e matar a fome, o parque dispõe de uma praça de alimentação bem charmosa. Lanchonetes fast-food, ou mais naturebas, e o restaurante Porto Canoas, de comidas típicas brasileiras, são algumas opções.

 

De lá, é possível apreciar o cânion.

 

O Hotel das Cataratas é o único no território do parque.

 

A administração do estabelecimento, até 2007, ficava com a Rede Tropical de Hotéis, quando uma nova licitação foi aberta e a gestão passou às mãos da Orient-Express (a mesma que administra o Copacabana Palace).

 

Bem próximo ao Parque Nacional do Iguaçu, fica o Parque das Aves, um zoológico que abriga mais de 150 espécies, como tucanos, araras e periquitos, além de cobras e jacarés. Muitos viveiros ficam abertos, permitindo a interação dos visitantes com as aves mais mansas — as demais ficam devidamente enjauladas.

 

No entanto, é proibido tocar os animais. O passeio rende lindas fotos.

 

Marta Reis - Foz do Iguaçu