A maior geradora de energia limpa e renovável do planeta

Gazeta do Povo
Brasil rouba a cena com hidrelétricas
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21/05/2008

Além de ser elogiado pela maioria dos participantes das mesas-redondas sobre biocombustíveis, o Brasil roubou a cena no debate sobre grandes hidrelétricas do Fórum Global de Energias Renováveis, realizado a 30 quilômetros da usina que mais gera energia no planeta. É bem verdade que nenhum palestrante foi a fundo nos impactos socioeconômicos e ambientais das grandes barragens. Mas, em meio a um evento sobre energias renováveis, o país que tira da fonte hídrica 76% de toda eletricidade que consome acabou sendo alvo de elogio de estrangeiros. Enquanto 85% da matriz elétrica brasileira é renovável, graças a empreendimentos como Itaipu, no mundo essa proporção não chega a 20%.

 

O diretor brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, lembrou que a usina “não foi apenas uma grande obra de engenharia civil, mecânica e elétrica”. “Brasileiros e paraguaios desenvolveram um impressionante instrumento de engenharia jurídica”, disse.

 

Samek falou pouco depois do nepalês Shree Govind, gerente técnico do Projeto Binacional Pancheshwar, entre Índia e Nepal. Planejada para ter potência de 6,4 gigawatts (GW) – quase metade de Itaipu –, a hidrelétrica começou a ser projetada em 1964. Mas, por conta de desconfianças entre os governos indiano e nepalês, somente há três anos entrou na fase de estudos de impacto ambiental.

 

Com investimento previsto em até US$ 14 bilhões, a hidrelétrica interessa muito à Índia – que está em franco crescimento e gera dois terços de sua eletricidade a partir de termelétricas –, mas nem tanto ao Nepal. O pequeno país não precisa de tanta energia e perderia 3,2 mil hectares de florestas e áreas agrícolas no empreendimento, que deve desalojar 22 mil pessoas.