Página Rural
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02/03/2011
Agropecuária sustentável: a proposta da Itaipu

A Itaipu Binacional tem no programa Desenvolvimento Rural Sustentável uma das principais frentes de ações  do Cultivando Água Boa, um amplo conjunto de iniciativas que conta com a participação de mais de 2 mil parceiros e que tem como objetivo melhorar as condições socioambientais da Bacia Hidrográfica do Paraná 3 (microbacias que estão conectadas ao reservatório da hidrelétrica e que se espalham por 29 municípios do Oeste Paranaense).
      
O programa teve início em 2003, a partir de uma série de mudanças no planejamento estratégico da Itaipu e que resultou em uma nova missão institucional, incluindo o desenvolvimento sustentável da região como uma de suas diretrizes.
      
O Oeste Paranaense corresponde a um dos principais pólos agropecuários do Paraná. Ali, estão cerca de 32 mil propriedades rurais sendo que a grande maioria (26 mil) é de caráter familiar e está organizada em sistema de cooperativa, integrando redes de produção, que vão desde o plantio de soja e milho (que servem como ração para a suinocultura, bovinocultura de leite e avicultura) até chegar a grandes unidades industriais de carne e laticínios.
      
Os impactos ambientais e sociais desse sistema produtivo são vários, tais como o acúmulo de agrotóxicos no solo e nos rios; a contaminação dos cursos d’água por matéria orgânica, principalmente esterco; problemas de saúde entre os agricultores, devido ao manejo de agroquímicos; perda da biodiversidade; assoreamento; entre outros.
      
A partir desse diagnóstico, a Itaipu procurou atuar em parceria com diversos órgãos de governo, cooperativas, associações e ONGs, com o intuito de mobilizar os agricultores para a adoção de práticas sustentáveis em suas propriedades. Todas as instituições participantes fazem parte do Comitê Gestor do programa, que periodicamente se reúne para avaliar os resultados e planejar novas ações.
      
A proposta central é a substituição gradual da monocultura por sistemas diversificados e preferencialmente de base agroecológica. Com a agricultura moderna, muito do conhecimento tradicional sobre o manejo de diferentes culturas se perdeu. Para fazer esse resgate, o Desenvolvimento Rural Sustentável se vale de ações de Educação Ambiental e da Rede de Assistência Técnica e Extensão Rural.
      
A rede é composta por 27 assessores técnicos e 140 agentes de extensão rural (agricultores líderes) que gratuitamente assessoram produtores da região. A rede tem um enfoque sistêmico sobre a propriedade, que serviu de base para a criação do Pronaf Sustentável (uma linha de financiamento para o atendimento global da propriedade e da família do produtor rural e não um mero custeio de safra). Essa experiência inédita no país está servindo como referência para um programa nesses moldes a ser levado a outras regiões do Brasil. Outra linha de ação está na pesquisa sobre tecnologias agropecuárias e variedades de sementes, feitas em parceria com o Iapar, Embrapa, UFPR e Unioeste.
      
Em 2010, o programa atingiu a marca de 978 agricultores atendidos (orgânicos ou em processo de conversão); mais de 33 mil pessoas participantes nas Feiras Vida Orgânica, realizadas para promover a produção local; 11 agroindústrias instaladas na região, com destaque para a produção de frangos caipiras, mel e vinho colonial orgânico.
     
Existem ainda milhares de outros produtores que, apesar de não terem convertido suas propriedades para a agricultora orgânica, adotaram práticas sustentáveis, como o plantio direto na palha, o terraceamento, a recomposição das matas ciliares e da reserva legal, a diversificação da produção, a produção de leite a pasto, entre outras técnicas. Complementando essas ações, a Itaipu tem procurado capacitar e estimular os agricultores para o desenvolvimento do turismo rural, que vem se convertendo em mais uma fonte de receita nessas propriedades.
      
As perspectivas futuras para o programa são excelentes. Há uma demanda crescente por produtos saudáveis e ecologicamente corretos, apesar de ainda não existir escala de produção suficiente na Bacia do Paraná 3. Porém, os agricultores da região estão entusiasmados para se organizar e responder a esse desafio.
      
No último mês de dezembro, por exemplo, a Coopeartiva Agroecológica e da Indústria Familiar (Cooperfam), de Marechal Cândido Rondon, assessorada pela Itaipu e seus parceiros, fechou com o Estado do Paraná um contrato para o fornecimento de produtos para a merenda escolar em escolas públicas da região. Esperamos que novos acordos semelhantes sejam firmados em 2011.      
João

José Passini é engenheiro agrônomo e gestor do Programa Desenvolvimento Rural Sustentável da Itaipu Binacional.